

É sabido que o Brasil, país de extensão continental, possui uma das mais ricas biodiversidades do planeta. Estima-se que em nossas terras vivam pelo menos 10% de todas as espécies animais do planeta, incluindo aí aves, insetos, mamíferos, peixes e répteis. E é por causa desta riqueza fabulosa que o País é um dos alvos preferidos dos traficantes de animais silvestres. Que o amigo leitor saiba que o comércio ilegal de animais silvestres é a terceira atividade criminosa mais rentável de que se tem notícia, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e armas. Segundo estatísticas, mais de 12 milhões de animais silvestres são retirados de seus habitats todos os anos no Brasil. Aliás, o tráfico é responsável por muitas espécies estarem em extinção. Na verdade, o tráfico de animais silvestres deve ser analisado sob duas óticas: O comércio nacional e o internacional. Infelizmente, no comércio nacional o tráfico conta com a ajuda quase ingênua oferecida pela tradição brasileira de caça e captura de animais selvagens, seja para alimentação ou para domesticação. Ademais, em função dos incentivos financeiros oferecidos pelo mercado negro, a captura de animais selvagens está passando a ser também uma espécie de atividade profissional. É cada vez maior o número de jovens, desempregados, lavradores e pescadores vivendo da captura de animais selvagens, onde ligando-se a caminhoneiros e motoristas de ônibus, transportam estes animais capturados até os grandes centros urbanos para serem vendidos. Já o comércio internacional é mais complexo, mais sofisticado, inclui subornos de policiais e servidores públicos, condescendência de funcionários de empresas aéreas e até assassinato de desafetos. O destino internacional desses animais são a Europa, Ásia e América do Norte, onde chegam para compor coleções particulares, para serem vendidos nas lojas de animais ou comporem o plantel de zoológicos, universidades, centros de pesquisa e multinacionais da indústria química e farmacêutica. Importante mencionar que uma característica do tráfico que mais enoja é a forma de transporte dos animais. Para enganar a fiscalização, a maioria dos animais são transportados de uma maneira degradante. Já foram apreendidos pequenos macacos transportados dentro de garrafas térmicas. Aves são obrigadas a ingerirem bebidas alcoólicas para não chamarem a atenção. Felinos são espancados e ficam sem alimentação por dias para facilitar o manuseio. E por aí vai. Lutar pelo direito à vida e liberdade dos animais é dever de todos nós. Não compremos animais silvestres, pois além de estarmos cometendo um crime, a maioria dos animais não resistem ao cativeiro e acabam morrendo. Se presenciarmos a venda de animais silvestres em feiras livres, lojas agropecuárias, pet shops, depósitos, etc., denunciemos o fato à polícia ou ao IBAMA. Além do mais, cobremos das autoridades públicas que a educação ambiental seja matéria obrigatória nas escolas públicas e privadas. Essas são apenas algumas informações sobre o tráfico de animais silvestres no Brasil. Termino, transcrevendo estas breves palavras do Dr. Louis J. Camuti, veterinário em Nova York: "Jamais creia que os animais sofrem menos do que os humanos. A dor é a mesma para eles e para nós. Talvez pior, pois eles não podem ajudar a si mesmos."
Roosevelt Santos Paiva.
domingo
Tráfico de animais silvestres no Brasil
A educação ambiental na perspectiva da paz

A Educação Ambiental é um tema recorrente em meus artigos. Isso porque acre -dito que a compreensão dessa temática ainda ocorre de maneira parcial e por vezes equivocada, denotando um certo reducionismo ecológico, limitando em grande parte à internalização dos valores de conservação da natureza. Essa visão se restringe a destacar alguns dos problemas mais visíveis da degradação ambiental, como a contaminação dos recursos naturais e serviços ecológicos, tais como o manejo do lixo e a deposição de dejetos industriais.Tal inserção, por seu caráter simplificador e restrito, está longe de promover a compreensão da riqueza e diversidade da vida e dos conflitos que ela engendra. Trata-se de uma abordagem romantizada do saber ambiental, em que a natureza é concebida como intocável e a interferência do homem na transformação dos espaços como a mais terrível mácula.
A necessidade de compreender a complexidade da problemática ambiental, bem como os múlti-plos processos que a caracterizam, é um desafio enfrentado por Guattari em sua obra As Três Ecologias de 1990. Nela o autor aborda a questão ambiental para além das concepções naturalistas ao deslindar a constituição do saber ambiental em três dimensões: a do meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana. As três vias da Ecosofia precisam ser compreendidas como distintas, do ponto de visto da concepção teórica, no entanto interdependentes no que tange à ressignificação prática. Isso quer dizer que embora concebidas em domínios distintos — ambiental, social e mental — , estas três dimensões não representam territórios fechados e estáticos. Ao contrário, conservam suas especificidades e capacidade de estabelecer conexões infinitas à medida que os desafios da práxis humana exigirem.
A ecologia mental ou a ecologia da subjetividade humana versa sobre a relação do sujeito com ele mesmo, com seu corpo, com o tempo, com os mistérios da vida e da morte. Implica na busca da ousadia de resistir às tendências homogeneizantes no campo estético e das manipulações político-ideológicas. Quer na vida individual ou coletiva, a ecologia mental procura reapreciar a cultura, a vida cotidiana, o trabalho e o esporte em função de critérios diferentes daqueles do rendimento e do lucro. É a dimensão da paz consigo, da tolerância e admissão das próprias características físicas e heranças étnicas. É o aco-lhimento e cuidado com a própria vida. Despoluir o meio ambiente, mas considerar igualmente a despoluição do próprio corpo. É ensinar a importância da preservação das características de cada bioma, bem como assumir as características étnicas. Aceitar o ambiente em escala macro pode começar “a partir de meios os mais minúsculos”.
A ecosofia social diz respeito à possibilidade de desenvolver práticas específicas na recriação de modos de ser no seio dos diversos grupos sociais. Refere-se à reconstrução das relações humanas em todos os níveis do socius na promoção de um investimento afetivo e pragmático em grupos humanos de diversos tamanhos. É um Eros de grupo que tenta renovar literalmente o conjunto das modalidades do ser-em-grupo, tanto no âmbito dos grupos maiores (sindicato, associações, igrejas instituições educacionais...) quanto no seio da família, do casal, da vizinhança, do contexto urbano, do trabalho etc. No âmbito educacional, a ecologia social pode ser concebida como o ser e o estar com o outro, como um convite à tolerância em todos os seus aspectos. A educação ambiental precisa abarcar também a esfera da valorização da paz como bem coletivo e essencial à reconquista da confiança na humanidade. Não há meio para o alcance de outras opções de desenvolvimento ambiental se os homens não forem capazes de se solidarizar primeiramente com seus pares. Ainda é de se admirar que ONG’s gastem mais com a campanha de salvamento das baleias azuis do que a ONU para minorar a fome e a miséria na África. Como falar de respeito à natureza se o respeito ao próximo não é cultivado no espaço escolar? É inconcebível que a preservação da natureza ande na contramão da preservação da vida humana.
O princípio particular à ecologia ambiental é a consideração da centralidade das intervenções humanas na garantia do equilíbrio natural. A ecologia ambiental acredita na iminência de qualquer tipo de catástrofe, mas crê, igualmente, nas evoluções flexíveis que podem abrandá-la. Na dimensão ambiental, entram em cena não apenas a defesa da natureza, mas a luta em prol da qualidade de vida, da sustentabilidade, dos direitos e da democracia ambiental na reapropriação social da natureza. É conceber a natureza em diálogo com a cultura, pensando “transversalmente” as interações entre ecossistemas, mecanosfera, e Universos de referência sociais e individuais (Guattari, 1990).
Essas três vias estão embaralhadas na tripla visão ecológica. Uma educação ambiental, no sentido integral e holístico do termo, precisa encarar o desafio de educar na perspectiva ético-política da ecosofia. Isso significa ampliar os horizontes de compreensão da Educação Ambiental no sentido de empreeender uma jornada que enfatize os procesoss de ensinar a aprender, voltados para o cultivo da paz em seus mais variados domínios: a paz consigo, a paz com o outro e a paz com a natureza. Ênfase e esforço que culminarão na lenta, porém gradativa conquista de modos de vida mais singulares, ambientalmente justos e socialmente equilibrados.
Márcia Carvalho
Sociedade sustentável

A concepção existente do meio ambiente no passado era de que os recursos naturais eram ilimitados, existiam em abundância, motivo pelo qual o homem não se preocupava com a questão ambiental que era sinônimo na maioria das vezes de progresso.
A população via a natureza como um depósito, onde se retira tudo que lhe parecia interessante, deixando no lugar lixo, os resíduos do processo de produção.
O grande número de catástrofes ambientais serviu para demonstrar a importância do meio ambiente para a humanidade. De nada adianta o desenvolvimento e progresso econômico se a vida em nosso planeta corre perigo.
A população começou a perceber que o planeta possui recursos finitos e se não mudarmos a concepção de que ainda, apesar de tantas catástrofes, temos nossa sobrevivência ameaçada.
O mundo somente abre os olhos para questão ambiental na década de 70, impulsionado pela Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiental Humano, realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972.
A primeira Constituição brasileira de 1824 não fez qualquer menção na esfera ambiental. A visão existente era somente econômica.
A Constituição de 1934 trouxe dispositivos de proteção às belezas naturais, patrimônio histórico, artístico e cultural. A Constituição de 1937 trouxe preocupação com relação aos monumentos históricos, artísticos e naturais.
A Carta de 1946, além de manter a defesa do patrimônio histórico, cultural e paisagístico, conservou a competência legislativa da União sobre saúde, subsolo, floresta, caça, pesca e águas.
Na Constituição de 1967, semelhante eram os dispositivos presentes; observa-se que pela primeira vez o vocábulo “ecológico” foi utilizado em alguma Constituição.
A Constituição Federal Brasileira de 1988 traz grandes inovações na questão ambiental, podendo ser denominada de “ Constituição Verde”. Diferentemente da forma que as Constituições anteriores abordavam o tema, o Constituinte de 1988 procurou dar efetiva tutela ao meio ambiente, trazendo mecanismos para proteção e controle ambiental.
A Carta Magna de 1988 trouxe como direito fundamental a fruição de um meio ambiente saudável e ecologicamente equilibrado.
A Lei Fundamental reconhece que os problemas ambientais são de vital importância para a nossa sociedade, seja porque são necessários para atividade econômica, seja porque considera a preservação de valores cuja mensuração é extremamente complexa.
Na Constituição Federal de 1998 são 22 artigos que, de uma forma ou de outra, relacionam-se com o meio ambiente, além de parágrafos e incisos diversos.
O artigo 225 da Lei Fundamental de 1998 é o epicentro do sistema constitucional de proteção ao meio ambiente e é nele que está muito bem caracterizada e concretizada a proteção do meio ambiente como um elemento de interseção entre a ordem econômica e os direitos individuais.
O artigo 225 da Constituição Federal expressa em seu caput: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
O meio ambiente ecologicamente equilibrado é dever e direito fundamental de toda coletividade. Trata-se, pois, de direito difuso, enquadrando-se como direito de terceira geração.
O Supremo Tribunal Federal, através do voto do ministro Celso de Mello (relator), conceituou o direito ao meio ambiente “como um típico direito de terceira geração que assiste, de modo subjetivamente indeterminado, a todo gênero humano, circunstância essa que justifica a especial obrigação que incumbe ao Estado e à própria coletividade de defendê-lo e de preservá-lo em benefício das presentes e futuras gerações.
Desse modo, acredito que o poder público infringe as regras da Constituição Federal de 1988, que não são obedecidas para assegurar os direitos dos cidadãos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Diante o exposto, concluímos que o novo tratamento constitucional em matéria ambiental foi um passo fundamental rumo à preservação de meio ambiente.
A partir daí, novas leis foram promulgadas e já tiveram uma concepção diversa daquela existente, ou seja, o poder público, juntamente com a coletividade, deixou de ter uma visão utilitarista do meio ambiente, partindo para uma visão mais preservacionista dos recursos naturais.
Salienta-se que a participação popular faz-se necessária e que cada um de nós assuma seu papel de sociedade sustentável, adotando atitudes concretas neste sentido. De nada valerá um arcabouço da legislação ambiental louvável, se este não for efetivamente colocado em prática.
Carla Cardoso.
terça-feira
Navios-tanque traficam água de rios da Amazônia

Navios-tanque traficam água de rios da Amazônia
Por Chico Araújo, da Agência Amazônia
BRASÍLIA – É assustador o tráfico de água doce no Brasil. A denúncia está na revista jurídica Consulex 310, de dezembro do ano passado, num texto sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o mercado internacional de água. A revista denuncia: “Navios-tanque estão retirando sorrateiramente água do Rio Amazonas”. Empresas internacionais até já criarem novas tecnologias para a captação da água. Uma delas, a Nordic Water Supply Co., empresa da Noruega, já firmou contrato de exportação de água com essa técnica para a Grécia, Oriente Médio, Madeira e Caribe.
Conforme a revista, a captação geralmente é feito no ponto que o rio deságua no Oceano Atlântico. Estima-se que cada embarcação seja abastecida com 250 milhões de litros de água doce, para engarrafamento na Europa e Oriente Médio. Diz a revista ser grande o interesse pela água farta do Brasil, considerando que é mais barato tratar águas usurpadas (US$ 0,80 o metro cúbico) do que realizar a dessalinização das águas oceânicas (US$ 1,50).
Há trás anos, a Agência Amazônia também denunciou a prática nefasta. Até agora, ao que se sabe nada de concreto foi feito para coibir o crime batizado de hidropirataria. Para a revista Consulex, “essa prática ilegal, no então, não pode ser negligenciada pelas autoridades brasileiras, tendo em vida que são considerados bens da União os lagos, os rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seus domínio (CF, art. 20, III).
Outro dispositivo, a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, atribui à Agência Nacional de Águas (ANA), entre outros órgãos federais, a fiscalização dos recursos hídricos de domínio da União. A lei ainda prevê os mecanismos de outorga de utilização desse direito. Assinado pela advogada Ilma de Camargos Pereira Barcellos, o artigo ainda destaca que a água é um bem ambiental de uso comum da humanidade. “É recurso vital. Dela depende a vida no planeta. Por isso mesmo impõe-se salvaguardar os recursos hídricos do País de interesses econômicos ou políticos internacionais”, defende a autora.
Segundo Ilma Barcellos, o transporte internacional de água já é realizado através de grandes petroleiros. Eles saem de seu país de origem carregados de petróleo e retornam com água. Por exemplo, os navios-tanque partem do Alaska, Estados Unidos – primeira jurisdição a permitir a exportação de água – com destino à China e ao Oriente Médio carregando milhões de litros de água.
Nesse comércio, até uma nova tecnologia já foi introduzida no transporte transatlântico de água: as bolsas de água. A técnica já é utilizada no Reino Unido, Noruega ou Califórnia. O tamanho dessas bolsas excede ao de muitos navios juntos, destaca a revista Consulex. “Sua capacidade [a dos navios] é muito superior à dos superpetroleiros”. Ainda de acordo com a revista, as bolsas podem ser projetadas de acordo com necessidade e a quantidade de água e puxadas por embarcações rebocadoras convencionais.
Há seis anos, o jornalista Erick Von Farfan também denunciou o caso. Numa reportagem no site eco21 lembrava que, depois de sofrer com a biopirataria, com o roubo de minérios e madeiras nobres, agora a Amazônia está enfrentando o tráfico de água doce. A nova modalidade de saque aos recursos naturais foi identificada por Farfan de hidropirataria. Segundo ele, os cientistas e autoridades brasileiras foram informadas que navios petroleiros estão reabastecendo seus reservatórios no Rio Amazonas antes de sair das águas nacionais.
Farfan ouviu Ivo Brasil, Diretor de Outorga, Cobrança e Fiscalização da Agência Nacional de Águas. O dirigente disse saber desta ação ilegal. Contudo, ele aguarda uma denúncia oficial chegar à entidade para poder tomar as providências necessárias. “Só assim teremos condições legais para agir contra essa apropriação indevida”, afirmou.
O dirigente está preocupado com a situação. Precisa, porém, dos amparos legais para mobilizar tanto a Marinha como a Polícia Federal, que necessitam de comprovação do ato criminoso para promover uma operação na foz dos rios de toda a região amazônica próxima ao Oceano Atlântico. “Tenho ouvido comentários neste sentido, mas ainda nada foi formalizado”, observa.
Águas amazônicas
Segundo Farfan, o tráfico pode ter ligações diretas com empresas multinacionais, pesquisadores estrangeiros autônomos ou missões religiosas internacionais. Também lembra que até agora nem mesmo com o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) foi possível conter os contrabandos e a interferência externa dentro da região.
A hidropirataria também é conhecida dos pesquisadores da Petrobrás e de órgãos públicos estaduais do Amazonas. A informação deste novo crime chegou, de maneira não oficial, ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), órgão do governo local. “Uma mobilização até o local seria extremamente dispendiosa e necessitaríamos do auxílio tanto de outros órgãos como da comunidade para coibir essa prática”, reafirmou Ivo Brasil.
A captação é feita pelos petroleiros na foz do rio ou já dentro do curso de água doce. Somente o local do deságüe do Amazonas no Atlântico tem 320 km de extensão e fica dentro do território do Amapá. Neste lugar, a profundidade média é em torno de 50 m, o que suportaria o trânsito de um grande navio cargueiro. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área.
Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água mesmo no estado bruto representaria uma grande economia. O custo por litro tratado seria muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas. Além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas de superfície existentes, principalmente, dos rios europeus. Abaixo, alguns trechos da reportagem de Erick Von Farfan:
O diretor de operações da empresa Águas do Amazonas, o engenheiro Paulo Edgard Fiamenghi, trata as águas do Rio Negro, que abastece Manaus, por processos convencionais. E reconhece que esse procedimento seria de baixo custo para países com grandes dificuldades em obter água potável. “Levar água para se tratar no processo convencional é muito mais barato que o tratamento por osmose reversa”, comenta.
O avanço sobre as reservas hídricas do maior complexo ambiental do mundo, segundo os especialistas, pode ser o começo de um processo desastroso para a Amazônia. E isto surge num momento crítico, cujos esforços estão concentrados em reduzir a destruição da flora e da fauna, abrandando também a pressão internacional pela conservação dos ecossistemas locais.
Entretanto, no meio científico ninguém poderia supor que o manancial hídrico seria a próxima vítima da pirataria ambiental. Porém os pesquisadores brasileiros questionam o real interesse em se levar as águas amazônicas para outros continentes. O que suscita novamente o maior drama amazônico, o roubo de seus organismos vivos. “Podem estar levando água, peixes ou outras espécies e isto envolve diretamente a soberania dos países na região”, argumentou Martini.
A mesma linha de raciocínio é utilizada pelo professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná, Ary Haro. Para ele, o simples roubo de água doce está longe de ser vantajoso no aspecto econômico. “Como ainda é desconhecido, só podemos formular teorias e uma delas pode estar ligada ao contrabando de peixes ou mesmo de microorganismos”, observou.
Essa suposição também é tida como algo possível para Fiamenghi, pois o volume levado na nova modalidade, denominada “hidropirataria” seria relativamente pequeno. Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes. “Desconheço esse caso, mas podemos estar diante de outros interesses além de se levar apenas água doce”, comentou.
Segundo o pesquisador do Inpe, a saturação dos recursos hídricos utilizáveis vem numa progressão mundial e a Amazônia é considerada a grande reserva do Planeta para os próximos mil anos. Pelos seus cálculos, 12% da água doce de superfície se encontram no território amazônico. “Essa é uma estimativa extremamente conservadora, há os que defendem 26% como o número mais preciso”, explicou.
Em todo o Planeta, dois terços são ocupados por oceanos, mares e rios. Porém, somente 3% desse volume são de água doce. Um índice baixo, que se torna ainda menor se for excluído o percentual encontrado no estado sólido, como nas geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras. Contando ainda com as águas subterrâneas. Atualmente, na superfície do Planeta, a água em estado líquido, representa menos de 1% deste total disponível.
A previsão é que num período entre 100 e 150 anos, as guerras sejam motivadas pela detenção dos recursos hídricos utilizáveis no consumo humano e em suas diversas atividades, com a agricultura. Muito disto se daria pela quebra dos regimes de chuvas, causada pelo aquecimento global. Isto alteraria profundamente o cenário hidrológico mundial, trazendo estiagem mais longas, menores índices pluviométricos, além do degelo das reservas polares e das neves permanentes.
Sob esse aspecto, a Amazônia se transforma num local estratégico. Muito devido às suas características particulares, como o fato de ser a maior bacia existente na Terra e deter a mais complexa rede hidrográfica do planeta, com mais de mil afluentes. Diante deste quadro, a conclusão é óbvia: a sobrevivência da biodiversidade mundial passa pela preservação desta reserva.
Mas a importância deste reduto natural poderá ser, num futuro próximo, sinônimo de riscos à soberania dos territórios panamazônicos. O que significa dizer que o Brasil seria um alvo prioritário numa eventual tentativa de se internacionalizar esses recursos, como já ocorre no caso das patentes de produtos derivados de espécies amazônicas. Pois 63,88% das águas que formam o rio se encontram dentro dos limites nacionais.
Esse potencial conflito é algo que projetos como o Sistema de Vigilância da Amazônia procuram minimizar. Outro aspecto a ser contornado é a falta de monitoramento da foz do rio. A cobertura de nuvens em toda Amazônia é intensa e os satélites de sensoriamento remoto não conseguem obter imagens do local. Já os satélites de captação de imagens via radar, que conseguiriam furar o bloqueio das nuvens e detectar os navios, estão operando mais ao norte.
As águas amazônicas representam 68% de todo volume hídrico existente no Brasil. E sua importância para o futuro da humanidade é fundamental. Entre 1970 e 1995 a quantidade de água disponível para cada habitante do mundo caiu 37% em todo mundo, e atualmente cerca de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso a água limpa. Segundo a Water World Vision, somente o Rio Amazonas e o Congo podem ser qualificados como limpos.
(Envolverde/ Agência Amazônia)
sexta-feira
Amazônia perdeu 247 km² de floresta em dois meses


O desmatamento na Amazônia em outubro e novembro de 2009 atingiu 247 quilômetros quadrados (km²) de floresta. Na comparação com os mesmos meses de 2008, houve queda de 72,5%.
Os números, divulgados hoje (4), são calculados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (Inpe).
“Os dados são de queda significativa. Houve redução de 68% em um mês e 80% em outro”, avaliou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Em outubro de 2008, o Inpe havia registrado 540 km² de desmate, em 2009 contabilizou 175 km². Já em novembro de 2008, a área desmatada foi de 356 km² contra 72 km² em 2009.
A medição do Deter considera as áreas que sofreram corte raso (desmate completo) e as que estão em degradação progressiva.
Segundo Minc, a cobertura de nuvens na região em 2009 foi menor que em 2008, o que permitiu que os satélites observassem áreas maiores de floresta.
“Ninguém pode dizer que não vimos o desmatamento porque estava tudo coberto de nuvens. Não é o caso, porque a nuvem abriu e mesmo assim verificamos que o desmatamento caiu.”
O Pará lidera o ranking do desmatamento acumulado nos dois meses, com 108 km² a menos de floresta em outubro e novembro. Mato Grosso aparece em seguida, com 50 km² desmatados. No Amazonas, o Inpe registrou 33 km² de derrubada somente em outubro. Na avaliação do ministro, o estado foi o “destaque negativo”, já que tradicionalmente não aparece nas primeiras posições entre os desmatadores.
O governo atribui a queda no desmatamento às operações de fiscalização e controle, realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança e às atividades da Operação Arco Verde, que oferece alternativas econômicas ao desmatamento ilegal.
“Esses são os primeiros números pós Arco Verde, que cobriu os 43 municípios mais desmatadores”, disse Minc.
Nos quatro primeiros meses do calendário oficial do desmatamento – de agosto a novembro – a redução entre 2008 e 2009 foi de quase 50%, com queda de 2.238 km² para 1.144 km² no acumulado medido pelo Deter.
Nesse ritmo, Minc acredita que será possível cumprir a meta de redução do desmatamento prevista na Política Nacional de Mudanças Climáticas muito antes do prazo.
“A meta é reduzir o desmatamento em 80% e chegar a 3,5 mil km² em 2020. Podemos alcançar essa meta ainda este ano, com nove ou dez anos de antecedência”, aposta.
“Podemos chegar em 2020 com redução de 95% do desmatamento em relação à década anterior”, completou.
Informações da Agência Brasil
sábado
Riqueza Subterrânea
Saiba quais as áreas de ocorrência, as características químicas e como se formam os aquíferos
Apesar de 65% da superfície da Terra ser coberta por água, 97% é salgada (mares e oceanos) e apenas 3% é doce. De toda a água doce disponível para consumo, 96% é proveniente de águas subterarâneas, sendo elas responsáveis pela garantia da sobrevivência de parte significativa da população mundial. No Brasil, cerca de 55% dos distritos são abastecidos por águas subterrâneas, segundo dados de 2000 do IBGE. Além de atender diretamente a população, esses recursos são utilizados na indústria, na agricultura, para irrigação, como fonte de águas minerais, de lazer etc.
O ciclo hidrológico é o movimento contínuo da água presente nos oceanos, continentes (superfície, solo e rocha) e na atmosfera. Esse movimento é alimentado pela força da gravidade e pela energia do Sol, que provocam a evaporação das águas dos oceanos e dos continentes.
Na atmosfera, o ciclo hidrológico forma as nuvens, que, quando carregadas, provocam precipitações em forma de chuva, granizo, orvalho e neve. Nos continentes, a água precipitada pode seguir diferentes caminhos:
1. Infiltra e percola (passagem lenta de um líquido através de um meio) no solo ou nas rochas, ressurgindo na superfície na forma de nascentes, fontes, pântanos, ou alimentando rios e lagos.
2. Flui lentamente entre as partículas e espaços vazios dos solos e das rochas, podendo ficar armazenada por um período variável, formando a zona saturada dos aquíferos, formações litológicas (solo e rocha sedimentar ou cristalina) capazes de armazenar água em seu interior e possibilitar a sua movimentação através de seus interstícios.
A água também escoa sobre a superfície, nos casos em que a quantidade precipitada é maior do que a capacidade de absorção do solo. Evapora, retornando à atmosfera. À evaporação das águas superficiais mais a transpiração das plantas dá-se o nome de evapotranspiração. Parte dela pode congelar, formando gelo nas montanhas e geleiras.
Apesar das denominações de água superficial, subterrânea e atmosférica, na realidade a água é uma só, que muda a sua condição de existência no tempo e no espaço. Aquíferos são rochas saturadas que permitem a circulação, o armazenamento e a extração de água. Quanto ao tipo de espaços vazios, podem ser classificados como: 1) Poroso: com água armazenada nos espaços entre os grãos criados durante a formação da rocha ou solo (rochas sedimentares). 2) Fissural (cristalino): a água circula pelas fissuras resultantes do fraturamento das rochas relativamente impermeáveis (rochas ígneas ou metamórficas). 3) Cársticos: formados em rochas carbonáticas, onde a circulação da água se dá em aberturas de dissolução de paredes e das fraturas (horizontais e verticais), criando verdadeiros rios subterrâneos (infográfico na pág. 19).
Os aquíferos também são classificados quanto à sua posição e estrutura em: 1) Livres ou freáticos: com localização próxima à superfície, estando suas águas submetidas à pressão atmosférica. São os mais comuns e explorados por meio de poços rasos ou de profundidade média. São encontrados em solos de alteração, planícies e rochas sedimentares aflorantes (aquíferos do Grupo Bauru). 2) Confinados: quando possuem duas camadas de confinamento (formações de menor permeabilidade) que submete as águas a uma pressão superior à atmosférica. Os poços tubulares profundos que captam suas águas podem apresentar artesianismo (água expelida pela boca do poço sem bombeamento, como no caso da porção central do Aquífero Guarani). 3) Semiconfinados: com situação intermediária entre os dois anteriores, podendo ser ora um, ora outro, dependendo de suas formações de confinamento.
Águas (ainda) limpas
De maneira geral, as águas subterrâneas possuem elevado padrão de qualidade físico-química e bacteriológica e, por serem naturalmente protegidas dos agentes de poluição e contaminação, essas águas dispensam, na maioria dos casos, tratamento físico-químico. Por estarem contidas nos aquíferos, essas águas normalmente apresentam características físico-químicas similares às da rocha aquífera e, em muitos casos, se encontram bastante salinizadas e impróprias ao consumo sem um tratamento específico. Este é o caso de parte das águas subterrâneas do famoso Aquífero Guarani (parte central) e dos aquíferos cristalinos do Nordeste brasileiro.
A quantidade volumétrica de água subterrânea que pode ser extraída de um aquífero está condicionada a uma série de fatores hidrogeológicos condicionantes. Assim, temos: 1) Embasamento cristalino com espesso manto de rochas alteradas: nesses contextos, os poços bem localizados e construídos captam águas subterrâneas das zonas de rochas fraturadas associadas ao manto de intemperismo relativamente mais espesso (de 10 a mais de 100 metros de espessura). As vazões mais frequentes situam-se entre 5 e 50 m3/h, de excelente qualidade para consumo. 2) Embasamento cristalino subaflorante: este domínio compreende uma extensão de rochas cristalinas e metamórficas, as quais são subaflorantes na zona semiárida do Nordeste. Os poços mais produtivos localizados nas zonas aquíferas são aqueles que atravessam várias fraturas, as quais funcionam como condutores hidráulicos. As vazões dos poços ali perfurados variam de 1 a 10 m3/h, tendo ocorrências de água com altos teores de sólidos totais dissolvidos superior a 2 mil mg/L em 80% dos casos. 3) Grandes bacias sedimentares: as rochas sedimentares ocorrem preenchendo bacias geológicas, depressões circundadas por rochas cristalinas, que ocupam domínios continentais. São elas: Amazonas, Parnaíba-Maranhão e Paraná. Também temos as chamadas bacias costeiras (Potiguar, Paraíba-Pernambuco, Alagoas-Sergipe), estruturas de afundamento tectônico tipo graben (Recôncavo, Tucano, Jatobá e Araripe), além de depósitos correlatos, sedimentos do Grupo Barreiras.
Das chamadas províncias hidrogeológicas do Brasil, a mais importante é a Bacia Geológica do Paraná, com três grandes sistemas aquíferos: Botucatu-Piramboia (também chamado de Guarani), Basaltos da Formação Serra Geral e os sedimentos do Grupo Bauru.
Contaminação indireta
As potencialidades de águas subterrâneas são muito variadas no País. Nas bacias sedimentares, poços com rebaixamento de 50 metros em seu nível estático produzem vazões de 250 a 500 m3/h, possibilitando abastecer até 50 mil pessoas por poço, com uma taxa per capita de 2 mil L/dia.
Nas rochas do embasamento cristalino com espesso manto de alteração, com produção por poço de até 50 m3/h temos possibilidade de abastecer uma população de até mil pessoas com 200 L/dia.
Os aquíferos são naturalmente protegidos da poluição e da contaminação, devido às baixas velocidades de infiltração e processos biológicos-físicos-químicos que ocorrem no solo e na zona não saturada. Porém, ao contrário das águas superficiais, uma vez ocorrida a poluição ou a contaminação, as baixas velocidades de fluxo subterrâneo tendem a promover uma recuperação muito lenta da qualidade. Dependendo do tipo do contaminante, essa recuperação pode levar anos, com custos muito elevados.
As fontes mais comuns de poluição e contaminação direta das águas subterrâneas são: 1) Deposição de resíduos sólidos no solo: descartes de resíduos provenientes das atividades industriais, comerciais e domésticas em depósitos a céu aberto, os lixões. Nessas áreas, a água da chuva e o líquido resultante do processo de degradação dos resíduos orgânicos (denominado chorume) tendem a se infiltrar no solo, carreando substâncias potencialmente poluidoras, metais pesados e organismos patogênicos. 2) Esgotos e fossas: o lançamento de esgotos diretamente sobre o solo ou a água, os vazamentos de sistemas coletores de esgotos e a utilização de fossas construídas de forma inadequada constituem as principais causas de contaminação de águas subterrâneas. 3) Atividades agrícolas: fertilizantes e agrotóxicos utilizados na agricultura podem contaminar as águas subterrâneas com substâncias como compostos organoclorados, nitratos, sais e metais pesados. A contaminação pode se dar, também, pelos processos de irrigação mal dimensionados, facilitando a entrada do elemento contaminante no aquífero. 4) Mineração: a exploração de alguns minérios, com ou sem utilização de substâncias químicas em sua extração, produz rejeitos líquidos e/ou sólidos que podem contaminar os aquíferos. 5) Vazamento de substâncias tóxicas: vazamentos de tanques em postos de combustíveis, oleodutos e gasodutos, além de acidentes no transporte de substâncias tóxicas, combustíveis e lubrificantes. 6) Cemitérios: fontes potenciais de contaminação da água, principalmente por micro-organismos.
Contaminação indireta
As formas mais comuns de poluição e contaminação indireta são: 1) Filtragem vertical descendente: poluição de um aquífero mais profundo pelas águas de um aquífero livre superior (que ocorre acima do primeiro). 2) Contaminação natural: provocada pela transformação química e dissolução de minerais, podendo ser agravada pelas ações antrópicas, tais como a salinização, presença de ferro, manganês, carbonatos e outros minerais associados à formação rochosa. 3) Poços mal construídos e/ou abandonados: poços construídos sem critérios técnicos, com revestimento corroído ou rachado, sem manutenção e abandonados sem o fechamento adequado (tamponamento), também podem contaminar as águas subterrâneas.
Entre os agentes antrópicos – elementos ou compostos químicos inorgânicos e orgânicos sintéticos perigosos mais comumente detectados no solo e subsolo e/ou águas subterrâneas por conta da ação humana, destacam-se: 1) Contaminantes inorgânicos não metálicos, tais como fósforo, selênio, nitrogênio, enxofre e flúor. 2) Metais tóxicos, tais como mercúrio, cromo, cádmio, chumbo e zinco. 3) Compostos orgânicos sintéticos do grupo BTEX (benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno), compostos aromáticos, fenóis, organoclorados diversos, voláteis, mais densos ou menos densos que a água, formando soluções multifásicas (DNAPL’s e LNAPL’s), hidrocarbonetos, entre outros. Esse contaminante tem origem industrial e afeta a saúde pública em teores muito baixos isto é, da ordem de partes por bilhão (PPB), até partes por trilhão (PPT), com efeitos metagênicos ou carcinogênicos.
Como resultado, na década de 80, desenvolveu-se uma verdadeira paranoia sobre essas fontes pontuais ou difusas, efetivas ou potenciais de degradação das águas subterrâneas, de tal forma que um recurso antes valorizado pela sua característica natural de potabilidade passou a ter qualidade suspeita até prova em contrário. Essa situação resultou, em grande parte, da falta de conhecimento dos processos bio-físico-químicos ambientais de atenuação que ocorrem “escondidos” no subsolo, e da pressão de mercado tanto de equipamentos como de assistência científica e profissional.
domingo
O Sábio e a Serpente - Reflexão.

Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. Ninguém se aventurava a passar por lá, receando-lhe o assalto. Mas um santo homem, a serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que em si mesmo. A serpente o atacou, desrespeitosa. Ele dominou-a, porém, com olhar sereno, e falou:
- Minha irmã, é da lei que não façamos mal a ninguém. A víbora recolheu-se, envergonhada.
Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente. Procurou os lugares habitados pelo homem, como desejosa de reparar os antigos crimes. Mostrou-se integralmente pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela.
Quando lhe identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças davam-lhe pedradas. A infeliz recolheu-se a toca, desalentada.
Eis, porém, que o santo homem voltou pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la. Espantou-se, observando tamanha ruína.
A serpente contou-lhe, então, a história amargurada. Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas perseguiam-na e apedrejavam-na. O sábio pensou, pensou e respondeu após ouvi-la:
- Mas minha irmã, houve engano de tua parte. Aconselhei-te a não morderes ninguém, a não praticares o assassínio e a perseguição, mas não te disse que evitasses de assustar os maus. Não ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor. Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso a distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos.
Publicado no blog: http://semeando-estrelas.blogspot.com
sexta-feira
O que é arroz parboilizado? (eu não sabia)
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terça-feira
Os 7 pecados capitais dos trangênicos
Ninguém quer o arroz da Bayer!
Ambientalistas, empresas, produtores e pesquisadores se posicionaram contra o plantio deste arroz de laboratório. Vamos continuar dizendo não aos transgênicos!
Os 7 pecados capitais dos trangênicos
Conheça os principais problemas dessa tecnologia que coloca em xeque a biodiversidade do planeta, provoca inúmeros problemas na agricultura mundial e afronta diretamente o Princípio da Precaução, da ONU.
1. Contaminação genética
Agricultores que queiram se dedicar ao cultivo convencional ou orgânico já sabem: se tiver alguma plantação transgênica nas redondezas, a contaminação é garantida e a missão, impossível. Tem sido assim nos Estados Unidos, onde tudo começou, na Europa, Argentina e sul do Brasil. Com a contaminação, agricultores têm prejuízos ao perderem o direito de vender suas safras como convencionais e/ou orgânicas.
Confira aqui entrevistas com agricultores espanhóis sobre alguns casos ocorridos em seu país.
O Greenpeace tem publicado anualmente um Registro sobre Contaminação Transgênica sobre os muitos casos verificados em todo o mundo - confira aqui a última edição.
2. Ameaça à biodiversidade
A contaminação genética pode ter também um efeito devastador na biodiversidade do planeta. Ao liberar organismos geneticamente modificados na natureza, colocamos em risco variedades nativas de sementes que vêm sendo cultivadas há milênios pela humanidade. Além disso, os transgênicos podem afetar diretamente seres vivos que habitam o entorno das plantações, conforme indicam estudos científicos - como no caso das borboletas monarcas, que são insetos não-alvo da planta transgênica inseticida, mas são também atingidas.
Ver aqui e aqui (arquivos em pdf para baixar).
3. Dependência dos agricultores
A empresa de biotecnologia Monsanto é hoje a maior produtora de sementes do mundo, convencionais e transgênicas. Além disso, é também uma das maiores fabricantes de herbicidas do planeta, com destaque para o Roundup, muito usado em plantações de soja geneticamente modificada no sul do Brasil. Com essa venda casada - semente transgênica mais o herbicida ao qual a planta é resistente -, os agricultores ficam presos num ciclo vicioso, totalmente dependentes de poucas empresas e das políticas de preços adotadas por elas. Ver aqui.
Outro grande problema verificado nos países que têm adotados os transgênicos - principalmente os Estados Unidos e Argentina -, é a draconiana propriedade intelectual exercida pelas empresas sobre as sementes transgênicas. O agricultor é proibido de guardar sementes de um ano para o outro, podendo sofrer pesados processos caso faça isso, e ainda corre o risco de ser processado de qualquer maneira caso a sua plantação sofra contaminação genética de uma outra transgênica - e ele não tiver como provar isso.
4. Baixa produtividade
Os argumentos de quem defende os transgênicos como solução para a crise alimentar que vivemos vêm caindo por terra dia após dia. Os transgênicos já se mostraram pouco competitivos economicamente e recentes estudos promovidos por universidades americanas comprovaram que variedades transgênicas são até 15% menos produtivas do que as convencionais. Confrontadas com os resultados das pesquisas, empresas de biotecnologia admitiram que seus transgênicos não foram criados para serem mais produtivos, mas sim para serem resistentes aos agrotóxicos fabricados por essas mesmas empresas.
Num primeiro momento, os transgênicos podem até ser mais produtivos do que os cultivos convencionais ou orgânicos/ecológicos, mas no médio e longo prazos, o que se tem verificado é uma redução na produção e um aumento significativo nos preços dos insumos como o glifosato, principal herbicida usado em plantações transgênicas.
5. Desrespeito ao consumidor (rotulagem)
O Brasil tem uma lei de rotulagem em vigor desde 2004, que obriga os fabricantes de alimentos a rotular as embalagens de todo produto que usam 1% ou mais de matéria-prima transgênica. No entanto, apenas duas empresas de óleo de soja rotulam algumas de suas marcas do produto - e mesmo assim só depois de terem sido acionadas judicionalmente pelo Ministério Público. Há milhares de produtos nas prateleiras dos supermercados brasileiros que chegam à mesa das pessoas sem a devida informação sobre o uso de substâncias geneticamente modificadas, numa afronta direta à lei e num claro desrespeito ao consumidor.
O Greenpeace publica, desde 2002, o Guia do Consumidor com uma lista verde de produtos que não usam transgênicos em sua fabricação e outra lista, vermelha, com produtos que podem conter organismos geneticamente modificados em sua composição.
6. Uso excessivo de herbicida
O caso da Argentina é emblemático: depois que os transgênicos começaram a serem plantados em suas terras, o consumo de herbicida explodiu no país, que passou a ser um dos que mais usam produtos químicos em plantações no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A explicação é simples: como os transgênicos são resistentes a um tipo específico de herbicida, o agricultor usa cada vez mais dele para proteger sua plantação de pragas. Com o tempo, no entanto, esse uso excessivo provoca problemas no solo, nos trabalhadores e promove o surgimento de pragas resistentes ao herbicida, exigindo mais e mais aplicações.
7. Ameaça à saúde humana
Não existem estudos científicos que comprovem a segurança dos transgênicos para a saúde humana. Apesar de exigidos por governos de todo o mundo, as empresas de biotecnologia nunca conseguiram apresentar relatórios nesse sentido - e ainda assim, seus produtos são aprovados. Por outro lado, alguns estudos independentes indicaram problemas sérios, como alterações de órgãos internos (rins e fígado) de cobaias alimentadas com milho transgênico MON863 da Monsanto.
E ainda há o risco do uso excessivo do glusofinato, componente ativo da variedade transgênica Liberty Link, da Bayer, presente tanto no milho como no arroz geneticamente modificado produzido pela empresa. Problemas como esses levaram alguns países, como a Áustria, a proibírem a importação e comercialização desses produtos.
No Brasil, infelizmente, não existe o mesmo cuidado. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela aprovação de transgênicos no país, vem dando sinal verde para variedades que enfrentam grande resistência em outros países, como no caso do milho MON810, da Monsanto, proibido na Europa e liberado no Brasil.
"Em tempos de “tecnologias verdes” para salvar o planeta do aquecimento global, não podemos nos enganar. Reduzir emissões de gases de efeito estufa significa zelar por nossas florestas e oceanos, investir em energias renováveis, consumir menos de tudo.
Contudo, existe uma massa de 30% de todas as emissões de gases estufa do Brasil que vem diretamente da “atividade agrícola”.
Desenvolvimento tecnologico existe, mas não há milagre. A “tecnologia verde” para conter a poluição proveniente de lavouras infestadas de fertilizantes químicos e agrotóxicos, de monoculturas e criação de gado a perder de vista, é simples como um campo orgânico, diverso, saudável, livre de tóxicos.
E nem adianta dizer que os transgênicos são a solução para fome no mundo, ja que a própria FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) afirmou que “se toda a produção do mundo fosse orgânica, seria o suficiente para alimentar a todos”.
É por isso que somos contra qualquer tipo de transgênico, inclusive o arroz, que está para ser aprovado para consumo."



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