domingo
Expedição científica descobre 60 novas espécies de animais no Suriname
Elas foram encontradas em uma área florestal pouco acessível do país
Uma expedição científica
descobriu 60 novas espécies, entre elas rãs, serpentes e peixes, na área
florestal menos acessível do sudeste do Suriname. Segundo a organização
ambientalista Conservação Internacional, uma equipe de 16 biólogos de vários
países explorou áreas remotas do Suriname e se deparou com dezenas de espécies
endêmicas, ou seja, restritas a essa área do país, que jamais tinham sido
catalogadas.
A expedição, que aconteceu ao
longo de 2012 nesse pequeno país, se deparou com o surgimento de 60 espécies
novas para a ciência, e entre elas se destacam seis tipos de rãs, uma serpente,
11 peixes diferentes e uma infinidade de insetos. As descobertas foram feitos
no alto da bacia do rio Palumeu, onde, por exemplo, se notificou a existência
da rã cocoa, uma espécie de cor marrom que vive nas árvores e cuja forma
arredondada de seus dedos facilita sua permanência em cima das árvores.
"Como outros anfíbios, sua
pele quase permeável a torna muito sensível a mudanças ambientais,
especialmente de água", disse o diretor do projeto de exploração, Trond
Larsen, ao apresentar os resultados. O cientista ressaltou que a descoberta
desta nova espécie tem uma particular importância ao se levar em conta que, só
nas três últimas décadas, 100 espécies de rãs desapareceram em todo o mundo.
Outro dos achados mais
chamativos da expedição foi um pequeno besouro liliputiense de apenas 2,3
milímetros considerado, provavelmente, o segundo menor da América do Sul e que
possui uma antena que lhe permite captar odores a longas distâncias. "Os
besouros têm um papel fundamental na cadeia ecológica e ajudam a manter os
ecossistemas", explicou o cientista em comunicado, após lembrar que esses
insetos regulam a presença de parasitas e doenças, dispersam sementes e
reciclam nutrientes que favorecem o crescimento da vegetação.
A lista de descobrimentos inclui
também um peixe que o estudo denomina de tipo tetra, muito colorido e pequeno
que os cientistas acreditam nunca ter sido catalogado. O diretor-executivo da
organização Conservação Internacional, John Goedschalk, afirmou que o estudo
apontou que a riqueza da vegetação e dos animais das florestas do Suriname é
uma amostra da importância de manter um desenvolvimento sustentável.
Além disso, disse que um
território como o Suriname pode ser um fornecedor de água em um mundo com secas
e graves carências na provisão desse bem de primeira necessidade. O Suriname é
um território que contém 25% de toda a superfície mundial de floresta pluvial e
95% de seu terreno é composto por florestas, segundo dados de Conservação
Internacional.
O estudo teve apoio da Fundação
para a Conservação do Suriname, a Universidade Anton de Kom do Suriname, os
Museus de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard e de Ciências Naturais
da Carolina do Norte, e o Instituto de Biodiversidade da Universidade do
Kansas.
Agência EFE.
sexta-feira
Consenso sobre “aquecimento global” se derrete
Ao se referir à teoria do “aquecimento global” e ao seu súbito abandono, o
professor Peter Wadhams, especialista da Universidade de Cambridge, afirmou:
“Isto não é um ciclo, não é apenas
flutuação. No final, tudo vai derreter de repente”.
A generalizada percepção de que na realidade não houve aquecimento
originário da civilização obrigou o IPCC – Painel Intergovernamental da ONU
sobre Mudanças Climáticas – a convocar uma reunião de crise.
Faz tempo se encontra em elaboração o 5º
Relatório de Avaliação do IPCC visando à atualização dos seus desqualificados
Relatórios de Avaliação anteriores, cuja previsão de lançamento está fixada
para outubro/2013. Diante dos fatos, os interessados pedem igualmente
explicação de como foi possível que em seus Relatórios precedentes sequer
tivessem considerado a “pausa global”, nome atribuído à constatação de que o
aquecimento global estacionou nos últimos 15 anos.
Segundo a Profª. Judith Curry, “agora ficou claro que os modelos
utilizados eram excessivamente sensíveis ao CO2”. Isto é, estava errada a
apresentação dramática do aumento do CO2 como fator de “aquecimento global”.
Afirmou ainda que os estudos já apresentados pelo IPCC não levaram em conta os ciclos de
longo prazo das temperaturas nos oceanos. Na verdade, são exatamente esses
ciclos que estariam resfriando a Terra como se deu no período 1965-1975, quando
muitos cientistas – e não cientistas como Al Gore – anunciaram a iminência de
uma nova era de gelo.
Para o Prof. Anastasios Tsonis, da Universidade de
Wisconsin, nós estamos entrando num período de esfriamento que durará pelo
menos 15 anos. Enquanto o IPCC sustenta que seus modelos mostram que se deve
esperar uma pausa 15 anos, Tsonis conclui que somente dentro de alguns anos
eles vão admitir o erro. Especialistas que
estudaram os projetos desse próximo Relatório julgam que o IPCC continua
apegado às suas profecias alarmistas sobre o Ártico, enquanto historiadores do
clima tornaram público que um derretimento massivo do Ártico aconteceu nas
décadas de 20 e 30 do século XX e depois se recompôs. Mas as redações prévias
do IPCC pareciam ignorar essa evidência. Os sucessivos derretimentos e
recongelamentos do Ártico mostram que nas grandes mudanças climáticas a
influência do homem não é crucial, sendo os fenômenos naturais seus únicos
determinantes.
segunda-feira
Terceirizando o cérebro
Com a chegada dos cultivos transgênicos e outras
novas tecnologias, facilitaram a vida do homem do campo. Temos a soja RR que
traz facilidade ao controle de ervas daninhas, o milho Bt que dispensa a
aplicação de inseticidas para várias pragas, além dessas, com certeza outras já
estão prontas para serem usadas.
Porém sabemos que tudo tem um custo, pois essas novas tecnologias vem acompanhadas de outros insumos na forma de pacotes prontos, com propaganda de maior lucratividade da safra.
Sabe-se que os melhores defensivos agrícolas não fazem parte do portfólio de um mesmo fabricante, por esta razão cabe ao agricultor escolher os melhores insumos com o auxílio da assistência técnica, com isso adquirindo os melhores produtos de fornecedores diferentes. Mas isso requer trabalho e gastar fósforo do cérebro, fazendo contas sobre ganhos potenciais em produtividade que ele teria se montasse o pacote mais apropriado para as condições da sua lavoura.
A cada safra, a semente que será colocada na terra vem acrescida de outros aditivos tecnológicos, um para cada problema que possa aparecer. Se ele optar por comprar um pacote do fornecedor, ele não necessitará da assistência técnica ou da extensão rural, pois ali junto com a semente vem o inoculante, o fertilizante, o enraizador, o nematicida, o inseticida, o fingicida, o bioestimulante, o promotor ou redutor de crescimento, etc.
E vem mais, espere, e aonde vai parar o custo de produção? Será que precisa de toda essa parafernália e penduricalhos junto da semente para produzir?
Pare e pense, pois temos que economizar enquanto temos dinheiro, depois que ele acabar, não adianta chorar pelo leite derramado.
Porém sabemos que tudo tem um custo, pois essas novas tecnologias vem acompanhadas de outros insumos na forma de pacotes prontos, com propaganda de maior lucratividade da safra.
Sabe-se que os melhores defensivos agrícolas não fazem parte do portfólio de um mesmo fabricante, por esta razão cabe ao agricultor escolher os melhores insumos com o auxílio da assistência técnica, com isso adquirindo os melhores produtos de fornecedores diferentes. Mas isso requer trabalho e gastar fósforo do cérebro, fazendo contas sobre ganhos potenciais em produtividade que ele teria se montasse o pacote mais apropriado para as condições da sua lavoura.
A cada safra, a semente que será colocada na terra vem acrescida de outros aditivos tecnológicos, um para cada problema que possa aparecer. Se ele optar por comprar um pacote do fornecedor, ele não necessitará da assistência técnica ou da extensão rural, pois ali junto com a semente vem o inoculante, o fertilizante, o enraizador, o nematicida, o inseticida, o fingicida, o bioestimulante, o promotor ou redutor de crescimento, etc.
E vem mais, espere, e aonde vai parar o custo de produção? Será que precisa de toda essa parafernália e penduricalhos junto da semente para produzir?
Pare e pense, pois temos que economizar enquanto temos dinheiro, depois que ele acabar, não adianta chorar pelo leite derramado.
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domingo
Influência humana é principal causa do aquecimento global, reitera IPCC
Relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) mostra que
a influência humana no clima é a principal causa do aquecimento global
observado desde meados do século 20. O aumento das temperaturas é evidente e
cada uma das últimas três décadas tem sido sucessivamente mais quente, informa
o Sumário para os Formuladores de Políticas do Grupo de Trabalho 1 do IPCC.
“O relatório concluiu que a temperatura da atmosfera e dos oceanos se
elevou, a quantidade de neve e de gelo diminuiu e que o nível do mar e de
concentração de gases de efeito estufa aumentou”, destacou um dos coordenadores
do documento, Qin Dahe.
Segundo o texto, há 95% de probabilidade de que
mais da metade da elevação média da temperatura da Terra entre 1951 e 2010
tenham sido causadas pelo homem. Os gases de efeito estufa contribuíram para o
aquecimento entre 0,5 e 1,3 graus Celsius (ºC) no período entre 1951 e 2010.
“A
continuada emissão de gases de efeito estufa vai causar mais aquecimento e
mudanças climáticas. Limitar a mudança climática vai requerer substanciais e
sustentadas reduções das emissões de gases de efeito estufa”, disse Thomas
Stocker, outro coordenador do documento.
O relatório ressalta que, até o fim do século 21,
há pelo menos 66% de chance de a temperatura global se elevar pelo menos 2ºC em
comparação com o período entre 1850 e 1900. “A mudança na temperatura da
superfície da Terra no final do século 21 pode exceder 1,5ºC no melhor cenário
e, provavelmente, deve exceder 2ºC nos dois piores cenários”, disse Stocker. Na
pior das possibilidades, a temperatura pode alcançar 4,8ºC até 2100.
Ele acrescentou que ondas de calor muito
provavelmente vão ocorrer com mais frequência e devem durar mais tempo. “Com o
aquecimento do planeta, esperamos ver regiões úmidas recebendo mais chuvas e
regiões secas recebendo menos chuvas, apesar de existirem exceções”, disse o
cientista.
O documento elaborado por 259 cientistas de 39
países apresentado em Estocolmo, na Suécia, mostrou que a elevação da
temperatura dos oceanos até cem metros de profundidade pode variar entre 0,6ºC
e 2ºC até 2100. Além disso, devido ao aumento do degelo dos glaciares, o nível
do mar deve subir entre 26 a 55 centímetros considerando o melhor cenário e,
entre 45 a 82 centímetros, no pior cenário. O gelo do Ártico pode diminuir até
94% durante o verão no hemisfério Norte até 2100.
“Com o aquecimento dos oceanos e a redução dos
glaciares, o nível global dos mares vai continuar a subir, mas em um ritmo mais
rápido do que experimentamos nos últimos 40 anos”, disse o pesquisador Qin
Dahe.
O IPCC foi criado em 1988 pela Organização das
Nações Unidas (ONU) e reúne milhares de cientistas de diversos países. Já foram
publicados quatro relatórios. A divulgação completa do quinto documento,
incluindo os trabalhos dos grupos 2 e 3, deverá ocorrer até 2014.
Por Ag. Brasil
sexta-feira
Contra o tráfico de animais
Neste domingo o país verá nascer
a Campanha Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Selvagens. A iniciativa do
Conselho Federal de Medicina Veterinária ganhará as ruas das capitais neste Dia
de Conscientização. A duração será de um ano. O objetivo principal é
conscientizar a sociedade para o combate ao tráfico de animais e impedir o
avanço desse crime.
O presidente da Comissão
Nacional de Animais Selvagens, Rogério Lange, disse, em entrevista à Agência
Estado, que a finalidade da campanha "é despertar a opinião pública sobre
os danos promovidos aos animais selvagens, o prejuízo que essa prática ilegal
representa na redução da diversidade da fauna e o risco de doenças nas famílias
que adotam animais selvagens como animais de estimação".
“As pessoas que têm animais de
estimação de origem selvagem, têm porque gostam de animais, é um amor que causa
um dano incomensurável, esse é o alerta que a gente quer fazer, é um amor
madrasto que não deve seguir nesse rumo”, disse Rogério Lange.
Dados do último estudo feito em
2001 pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Selvagens (Renctas)
apontam que 38 milhões são retirados da natureza todo ano, o equivalente a 400
animais por dia. Pior: 90% morrem antes mesmo de chegarem ao destino final. O
estudo ressalta as péssimas condições impostas pelos traficantes a esses
animais.
A Renctas salienta ainda as formas
precárias de captura, o estresse a que são submetidos os animais, as más
condições de alimentação e de transporte. Este semestre, em Brasília, foram
apreendidos cerca de mil animais, quantidade quase 20% superior às ocorridas no
mesmo período de 2012.
Além de reduzir e eliminar a
quantidade de espécies da nossa fauna, o tráfico compromete o equilíbrio do
ecossistema. Outra preocupação é com a saúde do homem, já que algumas doenças
contagiosas são de origem animal.
A iniciativa ocorrerá em
zoológicos, praças públicas e em parques. Médicos veterinários e zootecnistas
esclarecerão a sociedade com distribuição de cartilhas para que as pessoas
possam entender melhor o que significa o tráfico de animais. Um belo projeto!
quinta-feira
A degradação ambiental
Mais uma vez o mesmo tema.
Repetitivo, mas ainda assim indispensável. E cabe também à imprensa não deixar
de martelar em assuntos importantes até que comecem a ser tratados com a devida
atenção pelas autoridades, sejam elas de quais esferas forem.
Com relação ao meio ambiente, a situação
continua crítica. O número de alertas sobre desmatamento e degradação da
Floresta Amazônica aumentou em 35% entre agosto de 2012 e julho de 2013 na
comparação com agosto de 2011 a julho de 2012. Conforme divulgou a Agência
Brasil, as imagens de satélites usadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe), responsável pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em
Tempo Real (Deter), mostraram que, entre agosto de 2012 e julho deste ano, as
áreas possivelmente devastadas chegaram a 2.766 quilômetros quadrados ao passo
que, entre agosto de 2011 e julho do ano passado, a devastação ocorreu em 2.051
quilômetros quadrados.
A explicação para o aumento se
deve aos meses de agosto de 2012 com 522 quilômetros quadrados de área
devastada e a maio deste ano, com 465 quilômetros quadrados devastados, em
decorrência da degradação, que ocorre quando há remoção parcial da floresta por
uso do fogo ou por corte seletivo de árvores.
Os dados do Deter incluem o
corte raso, que configura o desmatamento ilegal e ocorre quando há a retirada
completa da floresta nativa em uma área. “Tivemos um alerta de desmatamento
causado pela intensificação do fogo em agosto de 2012”, disse o presidente do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Volney
Zanardi Júnior.
O acréscimo em maio é
justificado pelo fato de as nuvens terem se dissipado e, com isso, os satélites
do Inpe puderam detectar a degradação dos meses anteriores.
O coordenador geral de
Fiscalização Ambiental do Ibama, Jair Schmitt, informou que o aumento das áreas
degradadas decorre das queimadas originadas por causas naturais e intencionais.
“É um típico comportamento de reação à
fiscalização. Ante a situação atual de monitoramento por satélite, o qual é
praticamente diário, que se faz do corte raso e o aumento da fiscalização em
campo, o infrator não se arrisca mais a fazer o corte raso imediatamente. Ele
primeiro começa fazendo uma degradação pelo fogo. Mas o Ibama consegue
interferir nesse processo antes que se converta em desmatamento ilegal”, disse.
A maior parte dos alertas
identificados entre agosto do ano passado e julho deste ano representava corte
raso (59%). A degradação por uso de fogo respondeu por 33% dos alertas na
Amazônia Legal e por exploração florestal foi 3% dos alertas nesse período. Em
5% dos casos, as imagens apontaram um falso positivo, ou seja, algum problema
técnico na captação das imagens. Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas são os
estados com áreas mais críticas detectadas pelo Deter.
Os dados permitem que se deduza
a falta de fiscalização. Ou ao menos fiscalização menor do que a demanda. Para
o bem do país, o quadro precisa mudar.
Crescimento destrutivo
A Ciência Econômica “criou” um tipo de crescimento
baseado no consumo destrutivo da natureza e, como resultado, nos entregou um
“produto final” chamado aquecimento global - o sintoma mais claro da crise
ambiental, resultado de um processo crescente de degradação entrópica da
natureza (de matéria e energia) gerada pelo processo de produção industrial que
destrói os ecossistemas produzindo emissões crescentes de gases de efeito
estufa (GEE).
Atrelado a isso, tem-se que o processo econômico
produz calor pelo consumo de natureza, que se degrada em calor tal qual
descreve a lei da entropia. Assim, uma economia que entra acelerando na rota do
crescimento contínuo produz mais calor que é aprisionado pelo efeito estufa,
aquecendo a atmosfera, provocando na ponta final catástrofes ecológicas e a
destruição socioambiental.
Estudos realizados mostram que nos últimos 160 anos
a temperatura média da Terra sofreu uma elevação de 0,5ºC e, se persistir a atual
taxa de poluição atmosférica (no mundo, a cada minuto, dez mil toneladas de
dióxido de carbono são lançadas na atmosfera), prevê-se que entre os anos 2025
a 2050 a temperatura sofrerá um aumento de 2,5 a 5,5°C. As principais
consequências seriam a alteração das paisagens vegetais, que caracterizam as
diferentes regiões terrestres, e o derretimento das massas de gelo, provocando
a elevação do nível do mar e o desaparecimento de inúmeras cidades e regiões
litorâneas. Na Antártida, cerca de três mil quilômetros quadrados de geleiras
viraram água entre 1998 e 1999. Dezenas de ilhas da Oceania, entre elas Fiji,
Nauru, Tuvalu e Vanuatu, correm o risco de submergir com o aumento do nível dos
oceanos. No Recife, capital de Pernambuco, o contorno da praia está encolhendo
ano a ano.
O fato real é que para “custear” o crescimento
econômico promove-se a destruição ecológica. Para fazer a economia se expandir,
mina-se as bases de sustentabilidade destruindo os frágeis equilíbrios
ecológicos dos quais depende a conservação dos ecossistemas e da própria vida.
Isso explica o fato de a ciência econômica “dominar” o mundo através do
automatismo do mercado, tratando a natureza como mero objeto de trabalho.
Lamentavelmente, o planeta não “gira” regido pelas
leis do universo e da natureza, mas pelas ordens impostas no mercado global.
Isso resulta que estamos submetidos a uma racionalidade de um poder
concentrador da riqueza, gerador de desigualdades e insustentabilidade.
A economia neoclássica (a economia tradicional) não
faz “força” para entender que a degradação ambiental não se deve a causas
naturais; sua existência está relacionada às ações antrópicas. Não obstante,
como bem apontou o economista mexicano Enrique Leff, “os tomadores de decisões
continuam dando mais importância aos imperativos do crescimento econômico e à
estabilidade macroeconômica nas políticas de desenvolvimento sustentável que
aos estudos prospectivos sobre o risco ecológico e o desencadeamento do
aquecimento global”.
Essa economia neoclássica não pode desconsiderar um
fato primordial: a economia se alimenta da natureza; o processo econômico ao se
“alimentar” de matéria e energia transforma esses recursos em calor,
respeitando assim a segunda lei da termodinâmica (entropia). Com o avanço do
processo econômico avança-se junto à concentração de GEE.
Até antes da Revolução Industrial essa concentração
de gases de efeito estufa na atmosfera manteve-se abaixo dos 280 ppm
(partículas por milhão). Atualmente, os níveis de CO2 na atmosfera equivalem a
430 ppm. O otimismo fica por conta do seguinte: se forem tomadas medidas a
tempo, em 2050 poderá ocorrer um equilíbrio entre 450 e 550 ppm.
Até chegarmos lá, cabe pensar e repensar seriamente
em “refundar” a economia sobre suas bases ecológicas ajustando os “mecanismos” da
economia às leis da termodinâmica, fazendo com que a economia neoclássica deixe
de negar a contribuição dos processos ecológicos para a produção e passe a
“entender” definitivamente que o crescimento não é a solução, mas sim o
problema.
terça-feira
O meio ambiente agredido
A recorrência das agressões ao
meio ambiente é algo entristecedor. E não apenas a recorrência, mas também a
abrangência. De norte a sul, as notícias de infrações ambientais pipocam,
demonstrando uma triste realidade. Muitas vezes, o desrespeito é movido pela
ganância, pela sede de lucro. Em outras, porém, parte do cidadão comum,
completamente desligado da responsabilidade que tem com as próximas gerações.
Mas nem tudo são notícias ruins
no setor. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou recentemente
que não há aumento do desmatamento na Amazônia. O ministério, porém, detectou
crescimento da prática da fragmentação, que ocorre quando se corta árvores
seletivamente, sugerindo mudança na dinâmica do crime ambiental. “O sistema de
inteligência do Ministério já detectou essa prática e estamos combatendo com
novas estratégias de fiscalização”, afirmou a ministra.
O desmatamento da Amazônia foi
reduzido para menos de cinco mil quilômetros quadrados. Ainda parece muito, mas
em comparação a 2004, por exemplo, quando o desmatamento chegou a mais 27 mil
quilômetros quadrados, é um grande avanço. “Todos os recursos tecnológicos,
humanos e financeiros foram alocados para a fiscalização. Não há corte de
recursos. Ao contrário, é o maior contingente de fiscais que já trabalhou na
Amazônia”, disse Izabella.
Em entrevista dada pela ministra
à Agência Brasil, o discurso endureceu. Ela cobrou dos estados maior empenho na
fiscalização. “Tem estado que colocou na operação total de homens apenas seis
funcionários para combater o desmatamento. E é um dos estados que mais
desmatam. Quando vai ser prioridade dos governos estaduais cuidar da Floresta
Amazônica?”, disse Izabella. A ministra não quis revelar qual é o estado por
questões de segurança.
O Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai tornar disponível em
breve em seu site as áreas embargadas (proibidas ao plantio para recuperação da
área degradada). “Tem gente plantando em área embargada e apostando na
impunidade. A regularização prevista no Código Florestal é para quem desmatou
até 2008. Após 2008, tem multa. É inaceitável que as pessoas ainda busquem o
caminho da ilegalidade.”
domingo
Consumo ultrapassou capacidade de renovação que a Terra poderia oferecer em 2013
A cota de recursos naturais que
a natureza poderia oferecer em 2013 se esgotou na última semana, quando foi
assinalado o Dia da Sobrecarga da Terra, marco anual de quando o consumo humano
ultrapassa a capacidade de renovação do planeta. O cálculo foi divulgado pela
Global Footprint Network (Rede Global da Pegada Ecológica), organização não
governamental (ONG) parceira da rede WWF.
O levantamento compara a demanda
sobre os recursos naturais empregados na produção de alimentos e o uso de
matérias-primas com a capacidade da natureza de regeneração e de reciclagem dos
resíduos, a chamada pegada ecológica (medida que contabiliza o impacto
ambiental do homem sobre esses recursos). Em menos de oito meses, o consumo
global exauriu tudo o que a natureza consegue repor em um ano e, entre setembro
e dezembro, o planeta vai operar no vermelho, o que causa danos ao meio
ambiente.
De acordo com a Global Footprint
Network, à medida que se aumenta o consumo, cresce o débito ecológico,
traduzido em redução de florestas, perda da biodiversidade, escassez de
alimentos, diminuição da produtividade do solo e o acúmulo de gás carbônico na
atmosfera. Essa sobrecarga acelera as mudanças climáticas e tem reflexos na
economia.
Segundo os cálculos dessa
contabilidade ambiental, a Terra está entrando “no vermelho da conta bancária
da natureza” cada vez mais cedo. No ano passado, o Dia da Sobrecarga ocorreu em
22 de agosto. Em 2011, em 27 de setembro.
Para o diretor executivo da
Conservação Internacional, André Guimarães, a humanidade vai pagar a conta
desse consumo excessivo na forma de perda de qualidade de vida, de mais pobreza
e doenças, caso não mude esse quadro. “Esse ritmo de consumo no longo prazo vai
culminar na exaustão dos recursos naturais. Estamos colocando nossa qualidade
de vida e nosso futuro em risco. Se consumirmos em excesso a natureza, em algum
momento vamos ter que pagar essa conta na forma de poluição, doenças, água
menos disponível para nosso desenvolvimento e nosso uso, pobreza e falta de
alimentos”, disse Guimarães.
Para o ambientalista, o desafio
para as nações é achar uma maneira de se desenvolver reduzindo a demanda pelo
capital natural. “Assim conseguimos fechar a equação de meio ambiente
preservado e economia sustentável”.
Segundo pesquisas da Global
Footprint Network, os atuais padrões de consumo médio da humanidade demandam
uma área de um planeta e meio para sustentá-los. As projeções indicam que se o
estilo de vida continuar no ritmo atual, o homem precisará de duas Terras antes
de 2050.
Estudos da ONG internacional
mostram que, no início da década de 1960, a humanidade empregou somente cerca
de dois terços dos recursos ecológicos disponíveis no planeta. Esse panorama
começou a mudar na década seguinte, quando o aumento das emissões de gás
carbônico e a demanda humana por recursos naturais passaram a exceder a
capacidade de produção renovável do planeta.
Atualmente, mais de 80% da
população mundial vivem em países que usam mais recursos do que seus próprios
ecossistemas conseguem renovar. Os países devedores ecológicos já esgotaram
seus próprios recursos e têm de importá-los. No levantamento da Global
Footprint Network, os japoneses consomem 7,1 vezes mais do que têm e seriam
necessárias quatro Itálias para abastecer os italianos.
Nesse panorama traçado pela
Global Footprint Network, o Brasil aparece ao lado das nações que ainda são
credoras ambientais, com reservas naturais abundantes. Esse quadro, porém, está
mudando. O presidente da ONG, Mathis Wackernagel, lembra que o país tem uma
grande riqueza natural que está sob pressão devido ao aumento populacional e
aos padrões de consumo. “O Brasil precisa reconhecer sua riqueza e como pode
usá-la sem gastá-la. O capital natural vai se tornar cada vez mais importante
em um mundo com restrições de recursos”, disse Mathis, que enfatiza a
importância de se investir em energia solar e eólica.
Segundo o diretor executivo da
Conservação Internacional, o Brasil ainda tem abundância de capital natural e
espaço para crescer. “Os países desenvolvidos já ultrapassaram o limite de consumo
de matérias-primas naturais. Se todos os habitantes da Terra tivessem o mesmo
padrão de consumo dos norte-americanos, nós íamos precisar de quase cinco
planetas para dar conta das demandas da população. O padrão de consumo dos
países desenvolvidos desorganiza essa balança e o Brasil está na posição
intermediária caminhando a passos largos para ser um alto consumidor de capital
natural”, declarou André Guimarães.
Para ambientalistas, a sociedade
precisa repensar seu estilo de vida. Nesse contexto, dizem, a educação e a
informação são instrumentos importantes para uma mudança de valores. De acordo
com a secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito, cidadãos e
governos têm papel fundamental na redução dos impactos do consumo sobre os recursos
naturais. “Políticas públicas voltadas para esse fim, como a oferta de um
transporte público de qualidade e menos poluente, construção de ciclovias e o
estímulo ao consumo responsável são essenciais para reduzir a pegada
ecológica”, disse Maria Cecília.
Ela lembra que as pessoas podem
fazer sua parte. Reduzir o desperdício de água e energia, o consumo de carne
bovina e de alimentos altamente processados, usar mais transporte coletivo e
adquirir produtos certificados são algumas das atitudes recomendadas.
“É importante que as pessoas se
lembrem de que qualquer desperdício de energia, por menor que pareça, está
sendo feito às custas do planeta ao gastar mais combustível fóssil. Podemos
fazer nossas escolhas lembrando que a Terra é finita, como é a nossa conta no
banco. A gente só tem esse planeta, por que não cuidar dele?”, ressaltou a
secretária-geral do WWF-Brasil.
Fonte Agência Brasil
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