sexta-feira

Enfim a liberdade para duas mil tartarugas-tigre-d`água



Dois mil filhotes de tartarugas da espécie tigre-d’água (Trachemys dorbigni) voltaram ao seu habitat natural, na tarde desta sexta-feira (21), pelas mãos de integrantes do Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre (Nurfs) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e de soldados da 3ª Companhia Ambiental. 

As margens do canal São Gonçalo, junto à barragem eclusa, foram o ponto de partida para uma sobrevivência que pode durar até 100 anos. No entanto, menos de 50% sobrevivem, segundo a bióloga do Nurfs, Greici Maia Behling. Muitas são alvos fáceis para predadores como peixes e aves.

Elas chegaram no Núcleo, ainda em forma de ovos, e depois de permanecerem entre 30 e 40 dias no local, chegou a hora de serem devolvidas para a natureza. Os ovos foram retirados do seu habitat natural indevidamente e colocados em criatórios clandestinos para, após o nascimento das tartarugas, serem vendidas como bichos de estimação ou ainda para a indústria cosmética.

Esses exemplares são fruto de apreensão realizada no mês de janeiro, em que foram descobertos enterrados 6,6 mil ovos, numa propriedade na divisa entre os municípios de Pelotas e Rio Grande. Alguns já haviam eclodido. Outras 2,5 mil continuam no Nurfs para uma futura soltura. A bióloga explica que os exemplares soltos nesta sexta possuem tamanho entre três e quatro centímetros e de 30 a 40 dias de vida. 

“Após o nascimento, elas permanecem por um tempo com uma parte do ovo, denominado vitelo, presa ao cordão umbilical e que lhes serve de alimento”, explica. Quando este vitelo acaba é a hora de soltá-las na natureza, onde vão retirar o seu alimento e se virar sozinhas. Segundo Behling, elas comem basicamente algas.

Habitat
A tartaruga-tigre-d'água vive em zonas de pântanos, banhados, lagos, riachos e rios do Estado, principalmente na região da Lagoa dos Patos e do banhado do Taim. O seu nome se deve ao padrão colorido, em listras amareladas e alaranjadas. Fora do Brasil, a espécie também ocorre em parte do Uruguai até o nordeste da Argentina.

A fêmea desova em média até mais de dez ovos por postura, que eclodem no período de dois a quatro meses. Ao nascer medem cerca de três centímetros e quando adultas podem atingir 30 a 35 centímetros de comprimento. As fêmeas são geralmente maiores que os machos. O titular do Comando Ambiental, comandante coronel Ângelo Silva, explicou que a prática deste crime ambiental ocorre principalmente no verão, época em que as tartarugas-tigre-d’água colocam os ovos.

Nurfs
Desde 1998, a UFPel, por meio do Instituto de Biologia e a Faculdade de Medicina Veterinária, recebe e trata animais silvestres que são encontrados feridos, órfãos ou apreendidos pelos órgãos de fiscalização ambiental na Região Sul. As atividades são fruto de Termo de Cooperação firmado pelo Ibama e a UFPel, que por meio do Núcleo de Reabilitação de Fauna Silvestre (Nurfs) se encarrega da recepção e tratamento dos animais.

O Nurfs é formado por grupo multidisciplinar de profissionais das áreas de Medicina Veterinária e Ciências Biológicas, técnicos e docentes do Instituto de Biologia e da Faculdade de Veterinária da universidade.

Municípios em áreas de desmatamento sofrem mais com a violência, diz Ipea

Um estudo publicado hoje (20) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu que os municípios localizados em áreas de desmatamento da Amazônia sofrem mais com a violência do que outras cidades com o mesmo tamanho e importância econômica. 

Segundo a pesquisa, a média da taxa de homicídios nos 46 municípios que mais desmatavam em 2010 era 48,8 por 100 mil habitantes naquele ano. A taxa é quase o dobro da observada em outros 5.331 municípios pequenos e médios do país (27,1 por 100 mil habitantes).

Além disso, segundo o estudo, as cidades em área de desmatamento tiveram uma piora de 51,9% na taxa de homicídios, entre 2000 e 2010, enquanto no restante dos municípios esse aumento foi 2%.

O Ipea dividiu os municípios em área de desmatamento em cinco grupos: os municípios pequenos (com até 100 mil habitantes) e renda per capita mais baixa (até R$ 5.193), os pequenos (com renda média entre R$ 5.193 e R$ 15.460), os pequenos com renda mais alta (acima de R$ 15.460), os municípios médios (com população entre 100 mil e 500 mil) com renda média e os médios com renda mais alta.


A maior discrepância na violência entre os municípios de área de desmatamento e o restante do país foi observada nas cidades média com renda média. Enquanto entre aqueles que mais desmatam a taxa de homicídios era 108,7 por 100 mil habitantes, entre aqueles que não desmatam a taxa era quase três vezes menor (38,9 por 100 mil).

 “Constatamos que nos municípios onde há um maior valor econômico a explorar, há um ciclo de ilegalidades que começa com a grilagem de terra, o desmatamento e outras violências, inclusive o homicídio. A gente percebeu isso claramente no nosso estudo”, disse o coordenador da pesquisa, Daniel Cerqueira.

A maioria dos 46 municípios que mais desmatam está nos estados do Pará e de Mato Grosso. Dois deles, inclusive, figuram entre os 20 mais violentos do país, de acordo com o Ipea: Marabá, com taxa de 108,7 por 100 mil habitantes, e Novo Progresso, com taxa de 91,7 por 100 mil, ambos no Pará.

Agência Brasil.

domingo

Aumenta a emissão de dióxido de carbono



Em função da diminuição do desmatamento, o país avançou na redução das emissões de gases provocadores do efeito estufa. Ponto positivo. Contudo, por outro lado, a liberação de dióxido de carbono dos setores de energia e da agropecuária cresceu 41,5% e 23,8% entre 1995 e 2005, e 21,4% e 5,3%, respectivamente, entre 2005 e 2010.

Os dados integram a pesquisa Pegada de Carbono da Política Tributária Brasileira, divulgada em Brasília, durante a última semana, no seminário Política tributária e sustentabilidade - Uma plataforma para a nova economia.

Mesmo com o aumento das emissões, a renúncia fiscal referente aos gastos tributários para energia cresceu na última década (2004-2013), apontam os técnicos. A taxa de crescimento foi 69% ao ano, depois de 2001. No setor de agricultura, foi 38%. No setor automobilístico, a taxa foi 18% ao ano.

A pesquisa mostra também que, entre 2011 e 2012, o consumo de combustíveis no setor de transportes cresceu 7,6%, enquanto as vendas de veículos leves aumentaram 4,6% no mesmo período.

Os analistas dizem que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para os veículos não seria suficiente para impulsionar o consumo de combustíveis, mas a renúncia fiscal com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-combustíveis), expressa em termos de arrecadação, que chegou a R$ 8 bilhões somente em 2013, revela que existe forte correlação desse consumo com as emissões do setor, especialmente após a crise econômica mundial de 2008.

Com relação específica ao setor de energia no Brasil, a análise do estudo critica os gastos tributários acerca da isenção do Programa de Integração Social (PIS), do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a compra de gás natural e de carvão mineral dentro da modalidade termoeletricidade.

A intenção dos técnicos com o estudo é cobrar do governo coerência entre a política tributária com outras políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável, como a de mitigação das mudanças climáticas, ainda pouco conhecida país afora.

sexta-feira

A biogeografia da majestade o sabiá



A ave-símbolo do Brasil foi personagem de recente reportagem em rede de televisão na cidade de São Paulo, protagonizando discussões devido às características de seus hábitos. A controvérsia deu-se pelo seu estridente e belo canto, também pelo horário em que o pássaro começa a sua melodia.

Buscamos tanto a compreensão dessa fabulosa biodiversidade, mas quando a natureza nos oferece algo maravilhoso, sem nada nos cobrar, tudo de graça, sempre aparece a figura de um bicho-homem para contestar.

O estudo dos seres vivos na superfície terrestre é fascinante, abrangendo várias ciências e nos mostrando componentes para entendermos os padrões de distribuição, ou seja, a área geográfica, os eventos históricos e os grupos de organismos.

A mão humana está presente nesse episódio, pois, se esse pássaro habita uma área urbana arborizada e adaptou-se a ela, convive num ambiente modificado pelo próprio homem.

O sabiá faz seu lindo assobio ao amanhecer e ao entardecer, tendo seus motivos bem definidos: demarca o território e ensina os filhotes a cantarem longe de seus predadores, também com seu canto atrai a fêmea quando está em processo de reprodução.

Morar em área urbana e admirar um mato com sub-bosque e ouvir o gorjeio de um sabiá me encanta e noto que não há reclamações de vizinhos, pois esse pássaro já em torno das quatro horas da manhã começa a sua melodia. Quando se perde o sono, é só esperar o amanhecer ao som daquela bela flauta, o que também me inspirou para escrever sobre o tema.

Na rua em que resido aqui na cidade de Santa Maria não enfrento o problema da competição na escala de sons entre vários tipos de barulhos. Dentre todos os cantos dos pássaros, realmente se destaca o de um sábia que numa escala sonora em decibéis fica apenas atrás do som de uma buzina e do ruído do trânsito, isto na cidade de São Paulo.
Como essa espécie pode viver em torno de 30 anos, fico a imaginar que teremos esse companheiro nos presenteando com o longo e flauteado gorjeio por um bom tempo.

Quando criança podia travar a língua, mas hoje posso dizer que eu sei que o sabiá sabe assobiar e que na minha rua também tem palmeira onde canta o sabiá e que essa ave que aqui gorjeia continue a gorjear.
Estamos na primavera: a estação do amor, das flores e da Majestade o sabiá.


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