domingo

O efeito estufa e a agricultura


Tudo está relacionado. Veja. O aumento do dióxido de carbono na atmosfera pode afetar um dos principais produtos brasileiros vendidos ao exterior: a carne bovina. Resultados iniciais de estudo que integra o Climapest, projeto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre o impacto do efeito estufa na agricultura, apontam para modificações na qualidade da pastagem do gado.

A pesquisa foi apresentada no encontro sobre o impacto do efeito estufa Greenhouse Gases & Animal Agriculture Conference, em Dublin, na Irlanda, no fim do mês de junho.

Baseados na quantidade imaginável e presumível de dióxido de carbono no meio ambiente em 30 anos, os pesquisadores brasileiros do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) criaram um ambiente com alto teor desse gás e constataram que, em tal situação, a Gramínea brachiaria, utilizada largamente na alimentação do gado no país, cresce com mais força. E com um porém: fica com quantidade menor de nutrientes.

“Com mais fibras indigeríveis, em vez de se ter mais produção de carne - porque o boi vai ter mais pasto para comer, nós poderemos ter um problema porque a queda na qualidade dessa comida levará o pecuarista a ter de investir mais”, afirmou o coordenador da pesquisa Adibe Luiz Abdalla, professor do Cena, à reportagem da Agência Brasil.

Um campo experimental da Embrapa, em Jaguariúna, na região de Campinas, a cerca de 125 quilômetros da capital paulista, serviu de quartel-general para os testes e análises. Nesse local um ambiente que se imagina como realidade em 2040 foi cuidadosamente criado. Nele foram instalados 12 círculos de dez metros quadrados nos quais o dióxido de carbono foi colocado. Resultado: houve a ampliação da quantidade encontrada atualmente na atmosfera de algo em torno de 370 a 390 para cerca de 590 a 600 partes por milhão (ppm).

O gás carbônico tem o papel de auxiliar no desenvolvimento das plantas por meio da fotossíntese. O professor Adibe estima que com mais fotossíntese haverá um aumento da biomassa. “Esse aumento da produção de biomassa no caso de forragens é interessante porque vai produzir mais e mais capim, só que esse capim pelas informações que a gente está obtendo até agora é de pior qualidade, tem mais fibra, mais componentes indigeríveis”, disse.

Isso poderia comprometer, igualmente, conforme o pesquisador, outras culturas como as de algodão, arroz, feijão, milho e trigo. Ainda, contudo, não se pode saber ao certo o real impacto do efeito estufa sobre essas culturas.

sábado

Agricultura familiar: solução para o desenvolvimento



Nos últimos anos, a agricultura familiar tem ganhado mais força e destaque no cenário econômico brasileiro. Hoje, a atividade é responsável por 84% dos estabelecimentos rurais do País. De acordo com o Censo Agropecuário de 2006, o levantamento mais recente feito no País, entre os anos de 1996 e 2006 existiam cerca de 13,7 milhões de pessoas ocupadas na agricultura familiar. Número agora que deve estar bem acima. Além disso, para estimular o seu crescimento, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) está oferecendo ao agricultor uma linha de crédito de até R$ 200 mil para a mecanização de suas propriedades.

 

Entre as atividades que se destacam no segmento, está o cultivo de alimentos, pois 70% do que é consumido no País é fornecido pelos pequenos e médios produtores. Os alimentos produzidos são: mandioca, feijão, milho, café, arroz, trigo, entre outros.

 

Outra iniciativa que ganha força em diversas partes do País é o plantio de novas florestas. São produtores rurais que adotaram a prática plantando árvores, especialmente eucalipto e pinus, em áreas degradadas, improdutivas ou até mesmo desenvolveram a silvicultura em paralelo a outros cultivos. Normalmente, a produção é destinada para a indústria de celulose, madeira, carvão, entre outros fins comerciais. O custo de plantio dos eucaliptos varia de acordo com o objetivo de utilização da madeira, a tecnologia e cuidados aplicados. Quanto à lucratividade, para se ter uma ideia, uma produção de eucalipto pode ser administrada na mesma área da pecuária, oferecendo até 10 vezes mais renda e sem precisar reduzir o rebanho.

 

Os cultivos de alimentos e florestas plantadas são atividades em constante expansão e isso reflete em um aumento da demanda por equipamentos para o manejo. Para atender esse mercado, hoje, a indústria investe fortemente no desenvolvimento de produtos de fácil manuseio e operação confortável. Com os avanços tecnológicos, é possível encontrar produtos ergonômicos e potentes, que exigem menos esforço físico na operação e ainda garantem um aumento da produtividade. A proposta é transformar a atividade rural, seja o cultivo de alimentos ou a plantação de novas florestas, em uma ação lucrativa e segura.

 

Também não podemos deixar de ressaltar a importância do acompanhamento de profissionais com conhecimentos técnicos para auxiliar os pequenos e médios produtores. Com informações adequadas e bom planejamento de quando e como as árvores podem ser extraídas, por exemplo, é possível evitar possíveis prejuízos ao produtor e danos ao meio ambiente, como o desmatamento das matas ciliares, a perda da biodiversidade e a degradação dos solos. A forma como é feita a extração pode influenciar, e muito, na recuperação do solo após o plantio. Por esse motivo, é importante o uso de máquinas com alta tecnologia que possibilitem a poda e a colheita de árvores de forma adequada.

 

Avaliando o tema de forma ampla, podemos perceber que a agricultura familiar só tende a crescer cada vez mais. Nos próximos anos, a atividade será responsável por novos empregos, aumento da renda familiar, crescimento da indústria e desenvolvimento tecnológico. O meio ambiente também será beneficiado, com a preservação do ecossistema e qualidade de vida para os seres vivos. Seguramente, podemos dizer que esse é um importante vetor de desenvolvimento do País.



domingo

Árvores que brilham no escuro podem substituir postes elétricos no futuro


Na esperança de dar um novo significado ao termo “luz natural”, um pequeno grupo de entusiastas da biotecnologia começou um projeto para desenvolver plantas que brilham no escuro, potencialmente abrindo caminho para árvores que podem substituir postes elétricos e flores em vasos luminosos o suficiente para se conseguir ler um livro.

O projeto, que vai usar uma vertente sofisticada da engenharia genética chamada biologia sintética, está atraindo atenção não só pela sua meta audaciosa, mas pela forma como está sendo realizado.

Ao invés de ser uma iniciativa de uma grande empresa ou de um laboratório acadêmico, o projeto vem sendo realizado por um pequeno grupo de cientistas amadores em um crescente número de laboratórios improvisados surgindo em todo o território americano, na medida em que a biotecnologia se torna barata o suficiente para dar origem a um movimento “faça você mesmo”. O projeto foi idealizado por Anthony Evans, um empresário de tecnologia em São Francisco, e Omri Amirav-Drory, um bioquímico. Eles se conheceram na Universidade Singularity, em um programa cujo objetivo é apresentar tecnologias futuristas a novos empreendedores.

A iniciativa está sendo financiada na internet, por qualquer um interessado em fazer uma doação, e já angariou $250 mil dólares de cerca de 4.500 doadores em aproximadamente duas semanas.

Tabaco incandescente

O esforço não é o primeiro do tipo. Alguns anos atrás, um grupo de uma universidade americana criou uma planta de tabaco incandescente através da implantação de genes de uma bactéria marinha que emite luz. Mas a luz era tão fraca que poderia ser percebida somente se a planta fosse observada por pelo menos cinco minutos em uma sala escura.

Os objetivos do novo projeto, pelo menos inicialmente, são igualmente modestos. “Esperamos ter uma planta que você pode ver claramente no escuro, mas não espere substituir as lâmpadas com a versão 1.0″, diz o site do projeto.

Mas parte da meta é mais controversa: a divulgação das facilidades e das promessas da biologia sintética vem alarmando alguns críticos, que temem que amadores comecem a criar novos seres vivos em suas garagens. Eles argumentam que organismos maliciosos podem ser criados, seja intencionalmente ou por acidente.

Duas organizações ambientais, Amigos da Terra e o Grupo ETC, têm manifestado suas preocupações ao grupo responsável pelo projeto e ao Departamento de Agricultura dos EUA, que regulamenta culturas geneticamente modificadas, em um esforço para afundar a iniciativa.

A biologia sintética é um termo nebuloso e é difícil dizer como ela difere da engenharia genética. Em sua forma mais simples, a engenharia genética envolve extrair um gene de um organismo e colocá-lo no DNA de outro. A biologia sintética tipicamente envolve a síntese do DNA a ser inserido, proporcionando flexibilidade para cientistas irem além dos genes que se encontram na natureza.

 


 

Pesquisadores desenvolvem planta com tolerância à seca

Um estudo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pode ser a solução para os estragos causados pela estiagem nas lavouras. Pesquisadores descobriram no café o gene CAHB12, com tolerância à seca.
O gene pode ser introduzido em outras culturas que não a do grão e seu desempenho já se mostrou bem sucedido em uma planta de testes. O próximo passo será aplicá-lo à cana, ao arroz, ao trigo, à soja e ao algodão e observar o comportamento do CAHB12. Se tudo sair como esperado, a tecnologia pode estar no mercado em um período de cinco a seis anos.
O CAHB12 foi descoberto durante um projeto para traçar o genoma do café. Dentre cerca 30 mil genes foram encontrados alguns com tolerância ao estresse hídrico. Um grupo começou a estudá-los e detectou um que, quando submetido à seca, aumentava sua expressão e se adaptava.
 “Nós retiramos do café e introduzimos em outra espécie, a Arabidopsis thaliana, uma planta modelo de testes. A planta que recebeu o gene ficou muito mais resistente à seca. As que não tinham recebido após aproximadamente 15 dias sem água, morriam. As que recebiam sobreviviam até 40 dias. Além disso, suas sementes ficaram resistentes à seca até a terceira geração”, explica o pesquisador da Embrapa Eduardo Romano, doutor em biologia molecular.
Se os resultados observados na planta de testes se repetirem nas culturas comerciais como arroz, trigo e afins, ainda será necessária uma série de estudos de biossegurança ambiental e alimentar antes de disponibilizar o CAHB12 para comercialização. “Há um caminho longo pela frente, mas a perspectiva é interessante”, diz Eduardo Romano.
O pesquisador explica que o gene pode ser benéfico em muitos sentidos. Além de alternativa para combater os efeitos da seca que tendem a ser potencializados em um cenário de mudanças climáticas, a tecnologia pode contribuir para a economia de água. “Um total de 70% da água doce do mundo é utilizada na agricultura. Com o aumento da população, é preciso produzir mais alimentos usando menos água [pois não é um recurso renovável]. Gasta-se água e energia. A tecnologia pode resultar em uma redução direta do consumo de água”, disse. Romano prevê ainda alimentos mais baratos. “Em um país como o Brasil, com vários processos de perda de produtividade por causa da seca, tenderia a evitar a flutuação de preços”.
Para produtores rurais da Região Nordeste, que em 2012 e 2013 estão enfrentando níveis de chuva abaixo do normal e sofrendo perdas na safra e nas criações, uma tecnologia do tipo representaria uma margem de segurança para plantar. De acordo com Noel Loureiro, assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal) e membro do Comitê da Seca daquele estado, os produtores do sertão alagoano colheram menos de um décimo da safra de milho e feijão no ano passado e a perspectiva para 2013 é semelhante. O período de chuvas na área costuma ser de março a julho, mas as precipitações foram escassas em 2012 e a previsão é a mesma para este ano.
“A maioria [dos agricultores] não chegou nem a plantar. Foi o aconselhamento do Comitê da Seca. Mas, não dá para evitar o prejuízo com o gado, que tem que ser alimentado. O pessoal está usando bagaço de cana e comprando milho pela metade do preço do governo”, diz. Na avaliação dele, uma tecnologia que tornasse a lavoura mais resistente seria “muito importante”.
“Nós temos uma geografia de catástrofe. Como [o clima] é muito volátil, se tem qualquer oscilação perdemos a safra. Hoje só não se vê mais aquelas cenas de gente se retirando, com fome, porque o governo tem muitos programas sociais”, avalia. 
A descoberta dos pesquisadores da Embrapa e UFRJ já foi registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). O próximo passo será solicitar a patente internacional, por meio do Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT), gerido pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), na Suíça.
Por Ag. Brasil.
 

quinta-feira

O preço da desgraça


Os ecologistas já tinham avisado: o desastre está próximo. Este foi o motivo pelo qual os tachamos de “ecochatos”, porque vivem repetindo a mesma coisa que nós, em toda a nossa “sabedoria”, tínhamos certeza de que não iria acontecer. Mas aconteceu: a utilização desordenada das encostas dos morros, das áreas de banhados e o assoreamento dos rios completaram a química necessária para que a natureza, desequilibrada, cobrasse alto pelo seu longo silêncio e fizesse muitas vítimas.

Os deslizamentos causados pela ação da chuva sobre espaços devastados resultam de ocupações desordenadas e áreas mal usadas, que o poder público deveria preservar. Por muitos motivos, especialmente econômicos e políticos, são toleradas e, depois, paga-se com a destruição do próprio e pouco patrimônio que as pessoas têm, quando não com a vida.

Aumentar o cimento e o asfalto sobre áreas urbanas retira a capacidade do solo de servir de “esponja” para as grandes precipitações de chuvas. Não podendo ser absorvidas, acabarão se transformando em pequenos rios caudalosos pelas ruas, causando destruição e todos os transtornos que vimos nas imagens da televisão.

O avanço da agricultura e da urbanização até as áreas próximas aos rios retirou as matas ciliares e a proteção das encostas. Resultado: deslizamento de terra, empurrada pelas chuvas para seus leitos, que se tornam menos profundos, conseqüentemente, alargando seu canal e ocupando áreas de produção ou de moradia, normalmente, de populações pobres.

Não é uma desgraça anunciada? Sempre julgamos que todos os benefícios poderiam ser tomados da natureza sem que esta nos causasse danos maiores. O que assistimos em todo Território Nacional, seguidamente, não é um sinal esporádico, um fenômeno localizado, pois está acontecendo em todo o Planeta.

A natureza, descontrolada por um histórico de abusos, tem mostrado a sua fragilidade e a necessidade de que se repense a relação predadora que construímos.

O uso abusivo de recursos e a poluição desenfreada, com suas conseqüências, alertam: ninguém está livre de sofrer pelas feridas que impusemos ao planeta! O preço da desgraça é a consciência que precisamos ter de que nada é eterno em recursos naturais e eles têm ciclos a serem respeitados.

Abusamos da sorte e estamos pagando. Deve haver uma forma de pedir desculpas à mãe Terra e tratá-la melhor. Só nos resta fazer isto, pois não temos alternativa.


quarta-feira

Sobre a homeopatia



A homeopatia é uma ciência que harmoniza os seres vivos, humanos, animais, plantas, águas e solos. A característica principal da homeopatia é que faz experimentos em humanos. Os produtos naturais que adoecem os seres vivos, se usados em doses diluídas, irão gerar curas desde que sejam semelhantes à pessoa doente. Todos os registros históricos da literatura mundial descritos como adoecedores e geradores de doenças e morte, foram considerados, pela homeopatia, como suporte e prova de experimentos em humanos. A experimentação se faz quando um humano, ou propositalmente ou acidentalmente, ingere um produto tóxico e há o registro realizado por um observador.
Como exemplo, cito o de Sócrates que recebeu um remédio judiciário: ensinava o povo da Grécia a pensar. Foi condenado a tomar o veneno cicuta. Ao ingeri-lo, seu amigo Platão anotou os sintomas que ele sentiu: descontração, calma, vertigens, tonteiras, convulsões, epilepsia e lucidez até os últimos momentos de vida. Quando encontramos uma pessoa com estes sintomas, é indicado cicuta em forma homeopática, diluída e sucussionada. E, ao invés dela adoecer, ficará curada. Este é o princípio básico da ciência da homeopatia.
Datura stramonium é uma planta que, se ingerida em dose natural, gerará alucinações na pessoa, sintomas considerados de loucura: acha que é o próprio demônio, enxerga vultos imaginários que o atacam, monstros. Fala línguas estrangeiras, sem nunca ter estudado. Quando encontramos uma pessoa nesta situação indicamos Datura stramonium em dose homeopática e ela recupera sua lucidez.
Arnica montana ingerida em dose natural causa hemorragias internas. Quando uma pessoa está com hemorragias, por acidente ou durante ou após uma operação, se indicado Arnica montana em dose homeopática os sangramentos irão paralisar e vencer os hematomas. Arnica também é muito importante para resolver os traumas energéticos: sustos, medos, pavor de cenas chocantes.
A lei da dose mínima no modelo homeopático, ao invés de se usar matéria, usa-se o insumo ativo diluído, através de diluições e sucussões sucessivas. Este processo, se realizado até 100 vezes seguido, não resta mais matéria, apenas a energia, a informação dos efeitos curativos. A pessoa que apresenta os sintomas do medicamento ficará normalizada se ingerir a substância descrita em dose homeopática.
Características
A principal característica da homeopatia e das terapias naturais é que elas trabalham para reequilibrar a forma natural de cura dos seres vivos. As doenças pelo método natural são expelidas pelas fezes, urina, boca, nariz, olhos, ouvidos e pela transpiração. A homeopatia apenas oferece suporte energético para que o próprio indivíduo se harmonize.
Vantagens
Com rapidez nos resultados, a pessoa se livra de internações, operações invasivas, exames complicados, medicamentos com efeitos colaterais: a própria pessoa é que descreve não o nome da sua doença, mas o que ela sente, suas sensações, seus pensamentos, suas ideias, seus medos, angústias, tristezas. O homeopata pede-lhe para detalhar os horários das dores, das sensações, dos pontos do corpo humano e, com ajuda de repertórios impressos ou computadorizados, identificará qual é a melhor homeopatia para aquela pessoa. Os repertórios de homeopatia registram muitos sintomas desconhecidos pela alopatia.
As doenças crônicas na homeopatia são consideradas predisposições hereditárias a adoecimentos. Quando a pessoa possui doenças crônicas e incuráveis e que a medicina oficial apenas ajuda na manutenção, sem curá-la, ainda neste caso a homeopatia age, porém mais lentamente. A doença regride e a pessoa, cada vez mais, recupera a sua energia vital e sua vontade de viver, com capacidade de trabalhar e de autodeterminação.

segunda-feira

Pesquisadores brasileiros desenvolvem pomada contra o HPV


A novidade foi desenvolvida utilizando o extrato de um vegetal comum na flora do litoral brasileiro - o barbatimão. Os pesquisadores encontraram a solução para o tratamento do HPV na Zona da Mata de Alagoas

O princípio ativo da pomada é extraído da casca do barbatimão, planta comum no litoral brasileiro
Uma pomada para a cura das verrugas genitais, um dos sintomas mais desconfortáveis do HPV - o papiloma vírus humano - acaba de ser desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A pomada curou 100% dos pacientes submetidos ao tratamento da doença, no Hospital Universitário da Ufal.
O registro da patente já está em andamento no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), e nos EUA, com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), através da Chamada Pública Pro-Inova, de apoio aos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs).
A novidade foi desenvolvida utilizando o extrato de um vegetal comum na flora do litoral brasileiro - o barbatimão. Segundo o professor Luiz Carlos Caetano, do Instituto de Química e Biotecnologia da universidade, os pesquisadores encontraram a solução para o tratamento do HPV na Zona da Mata de Alagoas.
“A pomada feita com o extrato das cascas do barbatimão mais comum na nossa região, deu o resultado mais eficaz no tratamento dos pacientes. Suas cascas têm coloração mais avermelhada do que as da planta encontrada na região Sudeste, por exemplo, e foi por ela que seguimos nossos estudos. Vale lembrar que as cascas do barbatimão são uma das mais comercializadas em feiras do mercado fitoterápico de Maceió, sendo utilizadas pela população como agente cicatrizante e anti-inflamatório”, acrescentou.
Durante cinco anos, 46 pacientes diagnosticados com alguns dos mais de 200 tipos do papiloma vírus foram acompanhados no hospital universitário. Todos eles passaram por um tratamento de dois meses, utilizando a pomada duas vezes por dia. O produto foi cedido aos voluntários pela equipe da pesquisa, financiada pelo Núcleo de Inovação Tecnológica da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (NIT/Propep) da universidade.
Há cerca de 15 anos desenvolvendo pesquisas químicas e biotecnológicas relacionadas ao barbatimão, o professor Luiz Carlos trabalhou na pesquisa em conjunto com o agrônomo Pedro Accioly, professor do Centro de Ciências Agrárias, e o biólogo Zenaldo Porfírio, docente do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde, e revela que não imaginava alcançar o desenvolvimento de um produto de aplicação direta na área da saúde.
A parceria com o médico e professor Manoel Álvaro também auxiliou para a descoberta do medicamento. A substância de origem vegetal age na desidratação das células infectadas, que secam, descamam e desaparecem. “Quando o produto chegar ao mercado será um divisor de águas, porque vamos oferecer um tratamento sem efeito colateral e que já nos abre os caminhos para as pesquisas em pacientes de risco, no combate ao câncer de colo do útero. Esse é o próximo passo”, explicou Álvaro.
“Nós investimos em pesquisa e queremos o retorno para reinvestir em outros estudos científicos que beneficiam a população. Agora, estamos buscando parcerias com grandes laboratórios para comercializar o produto”, disse a coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica da Ufal, Sílvia Uchôa, ressaltando a satisfação do NIT em acreditar no potencial dos professores da instituição.
HPV
HPV é a sigla, em inglês, para papiloma vírus humano. Os HPV são vírus da família Papilomavirida e capazes de provocar lesões de pele ou mucosa. Na maior parte dos casos, as lesões têm crescimento limitado e habitualmente regridem espontaneamente.
Atualmente, existem mais de 100 tipos de HPV - alguns deles podendo causar câncer, principalmente no colo do útero e do ânus. O condiloma acuminado, conhecido também como verruga genital, crista de galo, figueira ou cavalo de crista, é uma DST causada pelo vírus. Entretanto, a infecção pelo HPV é muito comum e nem sempre resulta em câncer.
Ainda não se conhece o tempo em que o HPV pode permanecer sem sintomas e quais são os fatores responsáveis pelo desenvolvimento de lesões. Por esse motivo, é recomendável procurar serviços de saúde para consultas periodicamente. O exame de prevenção do câncer ginecológico, o Papanicolau, pode detectar alterações precoces no colo do útero e deve ser feita de rotina por todas as mulheres.
A principal forma de transmissão do vírus é pela via sexual. Para ocorrer o contágio, a pessoa infectada não precisa apresentar sintomas. Mas, quando a verruga é visível, o risco de transmissão é muito maior. O vírus também pode ser transmitido para o bebê durante o parto.
Vacina
Foram desenvolvidas duas vacinas que previnem contra a infecção por HPV mais presentes no câncer de colo do útero, porém, o real impacto da vacinação contra o câncer de colo de útero só poderá ser observado após décadas.
Uma dessas vacinas é a quadrivalente, ou seja, previne contra quatro tipos de HPV: o 16 e 18, presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero, e o 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas genitais. A outra é específica para os subtipos de HPV 16 e 18.
Deve ficar claro que a adoção da vacina não substituirá a realização regular do exame Papanicolaou. Trata-se de mais uma estratégia possível para o enfrentamento do problema e um momento importante para avaliar se há existência de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).

Fonte:

terça-feira

Antártica, um laboratório natural para pesquisa aplicada


Ilha Decepção (Antártica).- Entre canais, estreitos e geleiras, a Antártica se mostra como um gigantesco laboratório natural com condições excepcionais para o desenvolvimento da pesquisa básica, mas também das ciências aplicadas.

Silvia Murcia, uma pesquisadora espanhola que estudou biologia marinha e se especializou em ecologia de água doce na Universidade de Montana (EUA), não pensa duas vezes ao afirmar que é um grande privilégio poder

 

trabalhar em um terreno neste lugar.

"Aqui há uma diversidade de ecossistemas apaixonante para qualquer bióloga", explicou Silvia, que mora no Chile há quatro anos e, atualmente, dirige o programa de mestrado da Universidade de Magalhães, situada no extremo austral do país.

Conhecedora tanto dos habitats marítimos como da ecologia nos lagos e rios, Silvia trabalha em uma linha de pesquisa que mistura ambos os ambientes ao comparar algas procedentes da Antártica, Nova Zelândia e das ilhas Malvinas.

Atualmente, Silvia e sua equipe navegam pelo arquipélago das Ilhas Shetland do Sul a bordo de uma embarcação da Marinha a serviço do Instituto Antártico Chileno (INACH) para realizar uma nova edição da Expedição Antártica, iniciada ainda em 1947.

Nesta expedição, um grupo de cientistas de diversos países realiza o máximo de pesquisas e coletas no terreno para depois dar continuidades a suas análises nos laboratórios de suas respectivas universidades.

Apoiado por Jaime Ojeda, um jovem mergulhador que não teme se aventurar nas gélidas águas antárticas às 6h da manhã, a equipe de cientistas da Universidade de Magalhães extrai as algas do fundo para depois, em um rudimentar laboratório montado a bordo do "Aquiles", analisar sua eficiência fotossintética.

"Trabalhamos das 6h às 23h e ficamos esgotados ao extremo, mas é uma sorte estar aqui, temos muito o quê estudar", comentou a pesquisadora espanhola.

"O estudo no qual estamos trabalhando é muito lindo. A ideia é conhecer os padrões de distribuição de dois grupos de algas: um que só se encontra na região subantártica e outro que vive tanto na região subantártica como na antártica", detalhou Silvia.

Canais, ilhotas, arquipélagos, geleiras, desembocaduras de rios, a heterogeneidade ambiental em que vivem as espécies antárticas é extraordinariamente diversa. Neste caso, a existência de múltiplos nichos propicia que as espécies se adaptem a ambientes muito diferentes, uma característica fundamental e preciosa para os cientistas encontrarem uma oportunidade de desenvolver sua pesquisa.

"Buscamos identificar os padrões de distribuição destes dois grupos de algas; já que umas se adaptaram aos ambientes antárticos, têm climas muito extremos, carecem de luz no inverno e estão submetidas a uma forte radiação no verão, e as outras não".

Se conseguem se adaptar, como isso ocorre? Uma das possibilidades é que as mesmas contenham pigmentos extremamente fotoprotetores que podem servir para fabricar cremes de proteção solar ou proteínas anticongelantes.

Mas esta é somente uma parte do estudo desenvolvido pela pesquisadora espanhola. A outra linha procura identificar a existência de alguma conexão entre as algas que vivem na zona próxima ao continente americano e as que, além de se encontrar nesse habitat, também se desenvolvem nos mares antárticos.

"Se vemos que umas e outras se diferem muito geneticamente é porque deve ter ocorrido uma divergência quando as mesmas se separaram pelos continentes ou porque uma das espécies desenvolveu uma grande capacidade de adaptação em ambientes muito diferentes", assinalou Silvia.

Mas, se as algas ainda mantêm uma genética parecida é porque se mantêm conectadas, seja por efeito das correntes ou dos peixes e das aves migratórias, já que as algas se reproduzem por esporos, como as samambaias. "Entender estes organismos básicos, que são fundamentais na cadeia alimentar, é decisivo para a conservação dos ecossistemas", completou a pesquisadora.

De acordo com Silvia, a ciência aplicada, orientada a usos específicos na indústria, na medicina ou no desenvolvimento tecnológico, não seria possível sem uma boa pesquisa básica.

"A partir da pesquisa básica podemos entender certos parâmetros de uma espécie e isso pode ser útil, por exemplo, para a alimentação ou o cultivo de salmãos. Entendo que os governos também deveriam financiar a pesquisa aplicada", concluiu a pesquisadora espanhola.


Fonte: Agência EFE.

domingo

Planeta mal tratado

 

quinta-feira

A insegurança jurídica decorrente do Novo Código Florestal Brasileiro


A publicação deste novo instrumento jurídico nacional buscou atualizar uma legislação que era antiga, datada de 1965

Mesmo depois de vários anos de entraves políticos e jurídicos envolvendo o novo Código Florestal, a ideia que persiste é a de que a nova regulamentação ambiental não foi suficientemente amadurecida, fato que se comprova pelo descontentamento tanto dos setores do agronegócio brasileiro como das entidades conservadoras e defensoras do meio ambiente.

A publicação deste novo instrumento jurídico nacional buscou atualizar uma legislação que era antiga, datada de 1965 (Lei Federal nº 4.771), especialmente no sentido de harmonizar o desenvolvimento e crescimento do setor agrícola do país com a importante questão da preservação ambiental. Ambos os fatores não podem ser colidentes, já que precisam caminhar juntos, seja pela necessidade de crescimento de nossa economia ou pela necessidade de proteção de nossos recursos ambientais.

Entretanto, o cenário nacional atual é de incertezas e de insegurança jurídica, principalmente dos setores produtivos, que não estão encontrando respostas plausíveis e nem vendo ações eficientes para a implementação da nova legislação, especialmente pela falta de preparo e de recursos (materiais e de pessoal) dos órgãos fiscalizatórios dos governos municipais, estaduais e federal. Tais órgãos, quando questionados ou instigados, não conseguem dar pleno apoio e orientação aos proprietários de imóveis rurais, sendo que inclusive a expedição de licenças ambientais são demoradas e extremamente rigorosas, em especial pelas dúvidas que pairam em decorrência das novas regulamentações.

A recente transição legislativa revela o receio da classe empresária rural brasileira, que, em muitas peculiaridades de seus negócios, acabam verificando o descompasso com a nova legislação, motivo pelo qual enseja a readequação de procedimentos e a busca de regularização de suas atividades. Tal situação decorre de inúmeras regulamentações que variam de acordo com o Estado ou o município em que está localizado o imóvel rural, bem como o seu tamanho e o fim para o qual é utilizado. A ausência de tratamentos ou procedimentos padrões, em todas as esferas governamentais, acaba transferindo a responsabilidade para o produtor rural, que, sem dúvida, deveria ser tratado com especial importância, principalmente porque a economia nacional está sedimentada no agronegócio, sendo o país citado entre os cinco maiores produtores de alimentos do mundo.

Cumpre ressaltar que a aprovação do Novo Código Florestal é apenas o começo de uma era de várias outras regulamentações e criação de procedimentos perante os órgãos públicos municipais e estaduais do país, tudo em conformidade com as competências e diretrizes previstas na legislação federal e na própria CF/88. Cresce, sobremaneira, a importância e a atuação de tais órgãos públicos, na seara municipal e estadual, bem como o preparo adequado dos profissionais que ali desempenharão as suas funções, sobretudo porque serão os responsáveis pela agilidade dos procedimentos, pela orientação dos produtores rurais, pela fiscalização dos mesmos e, ainda, pela aplicação das penalidades decorrentes das infrações.

Importante destacar que, ao contrário de vários questionamentos recebidos de produtores rurais, a nova legislação federal trouxe a incumbência e a obrigatoriedade de que todos os proprietários de imóveis rurais façam o Cadastro Ambiental Rural, juntos aos órgãos fiscalizadores de sua região, especialmente para que o país possa criar um mapa atualizado da real situação agrícola e ambiental, em escala nacional, o que também oportunizará a criação de políticas públicas e regulamentações governamentais específicas para tais setores, que, repita-se, são o motor propulsor da economia nacional e a vitrine que atrai os olhares do restante do globo terrestre.

Outra obrigatoriedade decorrente da nova legislação federal, se refere a necessidade de averbação da respectiva área de Reserva Legal do imóvel rural na matrícula do mesmo perante o registro de imóveis, sob pena de fiscalização e penalização do Ministério Público de cada Estado, já que tal exigência foi imposição primordial das entidades de proteção do meio ambiente quando da discussão do projeto de lei em questão perante o Congresso Nacional.

Por fim, não podemos esquecer de citar a publicação complementar da Lei Federal nº 12.727/2012, já que, mesmo com os vários vetos da presidente, trouxe vários prejuízos ou desvantagens para os médios e grandes produtores rurais do país, no que tange a continuidade de utilização das áreas de preservação permanente. Por outro lado, tal legislação também veio a facilitar o procedimento para que tais produtores possam regularizar tais áreas, por meio de elaboração de laudos técnicos e averbações perante o registro de imóveis da cidade sede do imóvel, desde que revelam os eventuais desmatamentos ocorridos em tais APP, bem como demonstrem a forma que tal dano será recuperado ou compensado dentro do mesmo imóvel rural.

Nesta senda, mesmo com tais inseguranças, problemas e polêmicas decorrentes da nova legislação federal e da luta entre o setor rural produtivo com os ferrenhos defensores do meio ambiente, não podemos ignorar a importância de tal inovação legislativa, sobretudo quando visou a harmonização do desenvolvimento do setor agrícola com a questão da preservação nacional, já que os dois fatores são substanciais o crescimento e reconhecimento nacional em escala mundial.